18 outubro, 2018

Tonta


O centro oeste inteiro me fez de puta 
Então farei do centro oeste inteiro um grande bordel
Nesse mar de quantas, cansei de andar as tantas
 Pagar as contas
Teu beijo de morte é traiçoeiro
E não estou adormecida
Afinal de contas, a vida é curta
 Conto de fadas não me engana nem encanta

...


17 outubro, 2018

Canção de travesseiro

Já faz um bom tempo que não canto Samba Em Prelúdio
Percebi que não preciso cantar mais essa dor.
Foi assim, lá nos trópicos
Enquanto pensava com psicotrópicos
Que eu entendi que eu também sou você
Sou igual a todo mundo,
Sou melhor sem você.
Eu sem você, sou só amor
E prefiro cantar outra dor.
Só que durante a madrugada um novo som me pegou,
Ou melhor, a vida novamente me mostrou
E cantando, deu vontade...
Eu queria poder compartilhar... com você.
Mas não farei por hora, por acreditar que tempo há de ter
Se não há de ser agora, talvez seja em época de amora
O que não é pra já, talvez seja mão de Jah
Se não somos nesse planeta, talvez sejamos em Plutão, pelo menos eu faço ser com caneta.
É que passou um furacão e eu vi
Que sou igual a você. E você e todo mundo só querem alguém, queremos amor
E tudo, tudo, tudo se repete
E eu... eu, tenho tudo no peito que derrete
Só que ultimamente
Só sei chover canivete.

14 outubro, 2018

Na cadência do chamado

(Batucagê - GO 13-10-2018, no olhar de um peixe)

Para entender dança de Ilê tem que saber crer
Aprimorar os sentidos para conseguir ler
Dá frequência do corpo
Compreender que o molejo da bacia vai para baixo
A ginga tem que apontar para terra,
Lá do fundo, de Aruanda, outro mundo, de onde vem a raíz
Para entender dança de Ilê
Tem que saber chegar devagar
Saber aonde pisar
Mansinho, ser servil pra conseguir direito o barro apilar, primeiro com pé direito
Depois com o corpo inteiro, movimento de costas e braços,
Fazer das mãos o uso das ferramentas de proteção
Punhal, faca que corta, machado
Tem pai, mãe, guerreiro e guerreira, caçador e justiceiro
Para entender dança de Ilê
Tem que primeiro se levantar da cadeira
Espreguiçadeira pra se tornar sambadeira
Sacolejar, espantar mazela e poeira
Fechar o olho para sentir a batida que canta do tambor
Com o chamado, ir pra roda escorregar o pé no chão com fervor 
E da boca sair louvor
  Odoyá Iemanjá
 Saluba Nanã
 Eparrei Oyá 
Orayê Yêo, Oxum
Oba Xi Obá
Para entender dança de Ilê
Tem que levar coisa boa pra compartilhar
Melhor ainda se tiver um par pra dançar
Tem que ouvir o atabaque chorar
Só assim pro olho marejar
E o corpo dançar como quem estivesse na onda do mar
Feito canoa e pescador na jangada, acompanhar o balancê das águas
Para entender dança de Ilê
Tem que saber que cantar e dançar, é pra poder curar
Para entender dança de Ilê 
Tem que saber rodopiar, deixando a saia avoar
Deixa, deixa, deixa a gita, a gira girar
Para entender dança de Ilê
Antes de tudo tem que saber respeitar
E entender que meu povo é de lá 
E que a nega nagô tem magia no sambar 
Embole, embola, embole, embola
Foi no passo mole que me embolei
E foi de lá que nunca mais voltei
No batuque duro de terreiro que me lancei.
Axé!

11 outubro, 2018

Do elo, duelo

Hoje, eu quero a pureza de criança sorrindo
Quero a ternura de um abraço, de um encontro amigo
Eu quero poder descansar minha cabeça num colo antigo
Quero a alegria de uma noite festiva 
Pra ver de perto a ira se desfazer.
Hoje, eu quero sair perfumada e enfeitada
Quero ver o desabrochar das flores no jardim
Quero o girassol mais lindo que houver.
E só por hoje, ter você só pra mim.
Quero poder te mostrar as estrelas do meu céu
Quero te incendiar, te acender e me guiar de luz
Quero substituir o amargor por mel 
Quero poder sorrir quando você estiver a me fitar
Quero matar meu desejo em silêncio no teu cangote 
Te dar beijinhos até te ver delirar
Hoje, quero o acalanto silencioso do mistério
Só quero ouvir a vida de nossos corações.
Eu quero dançar um xote embolado
Me embalando no teu corpo suado
Poder ouvir da mansidão a tua voz
E me perder nos lençois e nos teus braços.
Hoje, eu quero a paz de um filho protegido no peito de mãe
Eu quero o amor, eu quero a beleza do amor mais puro 
Pra poder ver a maldade se desfazer.
Quero poder me desmanchar dessa dor com prazer
Hoje, quero te dar meu contato mais profundo
E aliviar teu pensar desse poço fundo
E te cuidar com alegria como quem chega do mar. 
Hoje, queria poder amar e deixar de imaginar. 

09 outubro, 2018

*

rasgando.

06 outubro, 2018

Apenas uma Nota

bauman no insta

amores líquidos
a imagem ficou no arquivo
story que passou
passageiro já tinha estação certa de parar
foto de crush não se posta em feed
não vai pra vida pra se plantar
só aparece pra passear
24h disponível, 
até não estar mais lá
é num estalo de snap 
que se saca esse gostar



Transa


Erótica era toda a transa de palavras e detalhes
Eram os olhares intensos que iam ao fundo do estômago 
Rebobinando à boca lírios líricos de encanto 

Transar era o tempo espaçado e fumegante 
Ao esperar o que a língua iria fala - aaar
Entre um gemido e um versículo,
O clamar era o som do nariz e o da boca ao puxar o ar

Respirar era toda grandeza animalesca de imensa beleza
Performance profunda da imagem e oralidade 
Dedilhada em brasa na pele de papel quente.

No movimento circular da bacia 
Que se ouvia os estalinhos de atrito das piscadelas
Lasciva, entre pálpebras cerradas piscantes
Ardia delirante

No apurar do trançar das palavras, 
Letras dançaricavam em seu juízo e cantarolavam em seu ouvido 
Ocupando o espaço seco e duro 
Do deserto das sensações.

Transar era tudo e nada era
Só poderia ser nos passinhos charmosos e sensuais de sua poesia,
Se houvessem os giros loucos de pincel no quadro e quadril.
.
As palavras cresciam dentro de seu ventre, 
E ela as cultivava e as protegiam
No emaranhado do cordão umbilical 
A passagem nutritiva do alimento de ler,
Interpretar mundo e emoções

Assim era. Pois sabia beber da chuva a tempestade. 
Embriagando - se cada vez de prosas, trovas e trovoadas
Sabia extrair da pele e do mundo
O sumo picante da substância do sentir com os olhos 
E o de tocar com trechos e versos. 

No caminho do corpo alternava entre mordiscadas 
E lambidas cheias de graça 
Em sua poética, havia gula do prazer 

Transar era tudo 
E tudo ela transava.

01 outubro, 2018

Propagando-me


"mais do que um sonho que eu conto ou mais um poema que eu faço?"

um artista nunca gosta do que faz, ouvi isso de uma artista italiana. talvez seja verdade mesmo, mas nem por isso nós não nos divulgamos, né. quem sabe alguém lê da china ou de uma lan house da esquina e se reconheça no mar de erros e ritmos criados, reinventados pelos meus olhos e sentimentos. então, segue alguns links com escritos e com um vácuo da falta de disciplina ao fazer postagens constantes, faço outras coisas além de escrever para blogs, como escrever, por exemplo. 

SISTÁ

27 setembro, 2018

Do passar do tempo em mim

a minha memória, a carência da minha pele por prazer, pelo calor,
o vício da minha boca em sorrir
e o antigo desejo que tenho nos dedos em dar carinho
costumam sabotar a configuração da minha práxis. 
eu te sentir, muda a percepção da verdade,
curiosamente, muda a tua verdade. 
eu sei de um segredo; você tem medo.
não gosto que subestimem meu pensar e sentir,
de mim, ninguém sabe nada. de mim, você não sabe nada.
não tiro mais de ti a poética de nós
esse ritmo não existe mais.
ainda te encanta minha beleza porque é de grande força
não foi dom divino, não me foi algo dado
houve luta, houve dor, houve vergonha, houve ódio
então, te encanta, sim! eu sei...
te intriga ver meus ombros erguidos
mesmo sabendo que as coisas andam mal
te intriga ver meus olhos sempre vivos de esperança
mesmo quando todos os meus planos ruíram
eu sei, te causa um rebuliço por dentro. te causo desejo.
minha beleza te encanta e por ela você se deixa levar
é por ela que você vive a me machucar, eu sei
é na sinceridade de todos os meus dentes a mostra
que você se perde da covardia por momentos
as linhas gitanas que lhe causam medo
são as mesmas que te enlouquecem e te fazem sonhar
é no meu passo firme e no meu pé descalço ao bailar
que tu te tomas de ego ao me querer ter provar,
- só mais um pouco, só dessa vez -
foi na inocência do meu gostar que você se criou
foi da minha energia elétrica e magnética, que você explorou
sem querer, me tornei carga da tua bateria
foi da minha efervescência que tu me fez remédio e te curou
foi pelo meu vestido vermelho, pela magia da minha sedução,
pelos meus beijos sujos de batom, encarnados de uma tigresa
que em ti despertou a fluidez da imaginação e criação
como também despertou teu charme oculto para atrair outras bocas, eu sei
o que te encanta é composição do meu mapa, 
do meu corpo, da minha ginga
nordeste, norte, centro, sul, brasil inteiro
é pela minha poética que surge no fogo da boca de dragoa
é pelo meu grito de verdade, é pelo meu sentir de sangria
é pela beleza da dor que carrego,
pelos meus olhos embotados de saudade
é por em mim ter coco, reggae, samba, maracatu, rap
é pela minha caminhada à aruanda, zion
é pelo meu cantar de sereia, meu ponto de gira
é por minhas pratarias de menina lua
é por eu ter a pele que reflete o sol
é por eu ter na cabeça a fábrica de todos os sonhos, teus sonhos
teu encanto é pela beleza dos meus alteregos
é no meu pulsar, que se dá a dureza do teu falo
essa é a tua verdade, da qual vive a negar
eu te criei a partir da minha essência, da minha verdade, da leveza que levo a sexualidade
é a imagem do que sou e represento que te visita na inquietude do teu vazio
é no teu silêncio que minha beleza te assombra
é no teu ato medroso de oposição, que nasce teu conflito de
não saber onde pisar, de não saber onde se plantar - com quem ficar? -
não foi o efêmero que te atraiu, não foi o comum, você sabe
um caçador de belezas não gasta seu tempo com miudezas 
vai em busca da maior e da mais rara cabeça pra por na coleção de sua sala
e a partir do seu saber, que se abriu a fresta da sua negação com o querer
e de achar que sobre mim tem poder
Não sou de beleza efêmera
minha beleza não nasceu de repente
fora construída lentamente
a mim me pertenço
de hora em hora, uma nova
dona de mim, a cada aurora, me pertenço mais
me refaço, sempre um pouco mais
no correr dos dias, dos anos
o meu cabelo afinou e assanhou
o meu sorriso deixa marca na minha expressão
meu pensamento mudou e meu medo avoou
e o que ficou em mei'mundo de caminho
foi meu passo torto e aberto, vindo de longe, ainda acelerado
foi a floresta invertida de raíz para baixo
foi quando entendi que a lua do céu é a mesma que gira dentro de mim
foi perceber que o ruído daquele vazio tem fim no mar
trago no peito a estrela de davi, ligação entre terra e céu
balanço entre o feminino e masculino
de peito aberto, nos meus atos carrego a justiça de xangô
borboleta, ninfa, bailarina e feiticeira
um corpo ardente solta no mundo a queimar
é preciso ter coragem para entender meu coração de mulher
a mim pertence tudo que minha fala disparada compete
toda a poesia bruta, não lapidada, toda verdade dura, crua
a mim pertence todo o calor, caldeirão, vulcão, sangue, alma e pele quente
a mim pertence toda a cura da loucura
é preciso ter coragem pra no meu mar mergulhar
eu sou minha vela, meu leme, meu barco
sou eu minha própria direção
minha própria embarcação
sou minha sorte, meu norte
sou sol, chuva e tempestade
o vento bate agalopado em minha janela
e eu já me deixei levar, meu bem.
é preciso saber bem quem é você, para entender quem eu sou
eu sei quem sou e sei que de mim,

você não sabe nada.


19 setembro, 2018

Trágica Comédia de Um Corpo Celeste

Guiava-se pelos astros, ele dizia
Mas de todo o cosmos, só sabia ler do mapa estelar; o cruzeiro do sul
Sozinho, andando desvairado por terras que não eram suas
Distraído olhou para o céu, numa noite estrelada
Viu uma estrela cadente e não soube o que pedir
Embora em suas preces sabia bem o que desejar
Não entendia o motivo de ter paralisado em frente de sua sorte cadente
Então se deitou no meio da rua para poder olhar o céu
Como quem espera por uma grande colisão, ali ficou
Na ardência vibrante da volta do acaso
Suas costas coladas no chão, esquentavam,
Parecia estar perto do núcleo da terra
Mas queria mesmo estar no alto, nos céus, 
Era lá que estava sua vontade, 
Era no eco da atmosfera que suas preces vagavam
Olhava com afinco para a mesma noite estrelada
No desejo de reaver seu pedido perdido
Mal piscava os olhos, pois toda vez ao piscar
Asteroides colidiam por de trás de suas pálpebras 
Que o transportava para um universo onírico sem fim 
O tempo começou a correr acelerado
Espalmava suas mãos grandes contra o chão
Como quem quisesse se proteger da rotação veloz da terra
Dias caíram, noites subiram
E ele continuava a olhar fixo para o cima, para o céu
À espera, à espera... à espera da danada estrela cadente
Só queria novamente uma segunda chance, já sabia o que pedir
Suas unhas cresciam e cravavam mais e mais fundo no chão duro
Se esqueceu de olhar para os lados, ficou louco à procura da sorte
Virou mulambo, maltrapilho, de mente surrada e maltratada
Não conseguia tirar de seu juízo o seu nobre pedido
Perdido, não viu o tempo mudar, nem floresta crescer
As estações passaram e ele não sentiu frio e nem calor
Não viu o cair das folhas e nem o florir dos ipês
Estava preso de seu medo, de seu mistério, de seu limbo particular
Cada vez mais se plantava no concreto, 
Seus olhos cimentados não enxergavam que a sorte floria ao seu lado
Embotou-se na dureza de si mesmo, cada vez foi ficando mais rochoso
Sua dureza tinha resquícios de belezas e estrelas poéticas
Mas estava pixado das tintas escorridas da sangria de sua cegueira
Seu ciclo fechou, emaranhou-se de rigidez, petrificou-se
Se perdeu no caminho esperando pela sorte por não saber ler sinais 
Por fim, rochoso, colidiu, explodiu
Deixando apenas os rastros luminosos de um corpo celeste.