07 novembro, 2012

“A Nós a Liberdade” 1931 (Análise)


O Filme “A Nós a Liberdade” é uma comédia satírica francesa escrita e dirigida por René Clair em 1931. Trata-se de uma denúncia a sociedade moderna industrial fundamentada no modelo de produção taylorista e fordista. O cenário do filme basicamente desenrola-se em uma prisão e em uma  indústria, o filme tem como enredo dois personagens centrais Louis e Émile, que são prisioneiros e amigos de cela, e sonham com a liberdade.

Logo parte-se para a análise de “o que é liberdade?” O inicio do filme se passa em uma prisão destinada aos infratores do modelo de produção, mostrando os prisioneiros/operários em seu trabalho alienado entoado as seguintes frases de uma canção “Liberdade é o dever de um homem feliz”; “Trabalho significa liberdade”. O filme representa e nos apresenta uma “liberdade” pautada no o que “não é liberdade”, impossível negar os conceitos marxistas para melhor entendimento do “trabalho” e “relações sociais” embutidas no filme.


Em ambos os espaços, tanto na prisão quanto na indústria a classe dominante ministra a classe dominada em uma disciplina militar de produção e organização em que os deixam (classe dominada/operários) no mesmo páreo, com o mesmo sentimento de opressão e de não liberdade, ou falsa liberdade.


No âmbito industrial as cenas apresentam a divisão do trabalho e condição mecânica com que os operários colaboram com a produção. O trabalho estranhado (alienado) do método produtivo segundo os conceitos marxistas causam uma impassibilidade nos gestos dos operários, eles se mantêm sentados, calados e repetindo os mesmos movimentos de seu trabalho, são “vigiados” o tempo todo por um espécie de “guarda” com uma postura militar, rígida e intimidadora. Diante aos conflitos entre a burguesia e proletariado, existe uma dupla sintonia, onde se reconhecem mutuamente. Nas cenas de trabalho no filme, vemos pautado em Marx, a venda da força de trabalho como detenção de tudo produzido como meios de produção voltados na dinâmica do capital, ou seja, no acúmulo de capital.

O clima de apatia, e disciplina com o trabalho é cortado quando entra em cena o personagem Émile que por amor a uma operária, quebra de forma humorada todo o processo sistemático de produção, com essa confusão, essa desordem causada por Émile faz com que as forças coercitivas internas da fábrica sejam acionadas. Devido toda essa desordem Émile acaba se encontrando com seu velho amigo de cela, que havia conseguido fugir, Louis.

Louis é um personagem que a princípio era um prisioneiro, que conseguiu escapar, fora da prisão Louis fazia pequenos furtos, e desses furtos conseguiu fazer uma grande fortuna e se tornar um grande proprietário de uma fábrica de “discos”. Louis ascendeu, levava uma vida cercado de riqueza, roupas finas, acionistas, carros luxuosos e afins. Mas quando encontra seu velho amigo Émile, essa pose requintada começa a decair. Juntos começam a quebrar “modelos”, rompem a conduta de costumes burgueses. No decorrer do filme Louis recebe uma visita inesperada de um golpista, que começará a lhe chantagear.


Pautado nas relações sociais vemos a lógica capitalista atuar, temos o proletariado oprimido pelas forças de coerção do Estado, que é constituído pelos burgueses, a classe dominante, que são donos do meio de produção e detém todo o lucro, vemos também a partir da chantagem de um golpista de classe inferior para com um proprietário, sendo assim, segundo os conceitos marxistas, o modo de produção não produz bens, mas sim relações sociais.


Já no final do filme, são perseguidos por ladrões e policiais, e decidem abandonar tudo. Eles seguem em frente abandonando o modelo capitalista, onde conseguem enxergar reais oportunidades, abandonando a “falsa ideia de liberdade”, de “falsa segurança”; de fato abandonam o meio capitalista, as cenas finais são dos operários cantando uma canção de paz e ócio à beira de um rio, vistos por Émile e Louis, amigos bem humorados e que seguem com a sua própria liberdade.


René Clair na verdade, associa a liberdade à felicidade e que só é alcançada de modo de amizade, ou fraternidade. Quando o modelo de relações sociais foi rompido, a liberdade foi alcançada.  O filme datado em pleno século XX nos mostra a sociedade industrial e a idéia capitalista presente e entrando em uma nova fase (neoliberal), de fato mais complexa, porém ainda existente, tendo os meios de produção, relações sociais retratados ainda presentes na contemporaneidade, o homem alienado ainda vigora no século XXI.



   (Veja o Filme aqui ↓)
                                                             


Curiosidade: O Filme “A Nós a Liberdade” (1931), serviu de inspiração para Charles Chaplin dirigir e produzir "Tempos Modernos" de 1936.


15 junho, 2012

Sobejo

Mesmo sol, mesmo lugar, nada novo, nada estranho, as mesmas expressões, os mesmos gestos... E de repente num piscar de olhos algo incomum, tudo estranho, tudo mudado... Ela sabia que aquela chama posta ao peito logo se apagaria, ela sabia que um dia as palavras iriam lhe faltar, e mesmo que quisesse falar só conseguia balbuciar.  Prendeu dentro da boca sua língua, guardou dentro de si uma enorme vontade de gritar. Trancada no absoluto de si; cega, muda, surda e estropiada. Só restavam-lhe pequenos absurdos; uma imagem congelada no retrato, sua intimidade com o silêncio, o chorar de esperar o amanhecer e alguns crimes... Restava-lhe a loucura, a personificação da deselegância, as reticências e o compasso rítmico de um amor ao avesso. E por fim, com um gracioso "finalmente" restava-lhe a si própria.

http://www.recantodasletras.com.br/autores/tarsisfarias

26 maio, 2012






A violência contra a mulher aumenta a cada dia. "Entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídios. Índice  de 42 assassinatos por 100 mil habitantes. Elas morreram em número e proporção bem mais baixo do que os homens (92% das vítimas), mas o nível de assassinato feminino no Brasil fica acima do padrão internacional ". (O Estado de S. Paulo, reportagem) .

Na nossa sociedade, muitas pessoas pensam que a solução para resolver qualquer conflito é através da violência, e com o pensamento de que os homens são mais fortes e superiores às mulheres. O machismo ainda predomina, e é com essa mentalidade que muitos namorados, pais, irmãos, chefes e outros homens acham que possuem o direito de impor suas vontades às mulheres.

Muitos que cometeram agressões afirmam que, o que os levaram a praticar tais abusos, fora o uso de drogas, álcool e a causa maior, o ciúmes. - Como se isso fosse uma boa desculpa para o tornar inocente.

As agressões não são apenas físicas, ainda tem o emocional da vítima, que ficará marcado por toda a vida.

 "Temos que ter claro quem é o agressor e quem é a vítima, pois nossa sociedade confunde os papéis". (Luiza Nagibi Eluf) Um caso típico disso foi o da Sandra Gomide. Uma jornalista que se envolveu com Pimenta Neves(jornalista), e após o rompimento em um ato de "loucura", crueldade e covardia, Pimenta mata Sandra com dois tiros. Pimenta Neves, é réu confesso no assassinato da jornalista, e esse foi um dos casos mais comentados de 2000. Pimenta foi levado a julgamento e ficou preso por apenas 7 meses.

Com a falta de informação e induzidos pela mídia já tinham decidido quem era inocente e culpado. Enquanto houver o machismo, falta de informação e falhas na lei, casos de violência desse tipo e piores ficarão impunes e a tendência é só aumentar as agressões.

Vemos com tanta freqüência casos de agressões que já se tornaram comuns, e se não pararmos para pensar e refletir e rever os valores e princípios de humanidade, casos como esse e outros nos passam despercebidos e passaremos a ser mais frios. Por isso, nos como parte da sociedade deveríamos exigir um pouco mais dos deveres da justiça, mais ação e sensatez para que casos assim, a lei seja firme, severa e faça o que é certo. Chega de impunidade! 

A justiça ainda é falha, e mesmo com ideias boas e propósitos bons, ela nunca entrou em ação. E é aí que aparecem as Vadias.. Mulheres cansadas de sofrer, cansadas de injustiça e da opressão, e que com força e coragem, decidiram dar um BASTA em toda essa impunidade, gritando por sua liberdade.

Somos mulheres e somos livres, somos mulheres e decidimos por nós mesmas, somos mulheres e somos divas, somos mulheres e exigimos o respeito necessário, somos mulheres e somos fortes. Nem puta, nem vadia, apenas livre, apenas mulher. Assim como todo cidadão, temos direitos. Almejamos a nossa liberdade. Diga NÃO a qualquer tipo de preconceito. E diga SIM a liberdade de todo indivíduo independente do sexo, da cor ou da sua opção sexual.

Eu APOIO a #MarchaDasVadias


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Társis Farias
''Whatever makes you happy
Whatever you want
So very special...
I wish I was special
But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here
I don't belong me''



A primeira música que escutei do Radiohead foi Creep, e a letra conseguiu me atingir de uma forma que nem mesmo eu imaginaria. A forma que assimilei essa música, foi mais ''o por que da minha existência'' , eu não me via como parte desse mundo, não conseguia achar um lugar no qual pudesse me encaixar, ou me encontrar.. ''Quem sou eu? O que eu quero? Por qual motivo existo?''

Eu sempre entrava em conflito comigo mesma, e tais perguntas permeavam minha mente a todo momento. Havia uma tentação constante de querer existir, mas não no sentido de que o mundo me reconhecesse e me acolhesse.. Na verdade, eu que precisava me reconhecer, me redescobrir, olhar no espelho, e poder me enxergar.. Mas até então, a imagem refletida não passava de borrões.

Era como estar à beira do abismo, a queda era inevitável, iria acontecer em algum momento, e aconteceu. O cair foi doloroso, mas foi definitivo pra dar continuidade a minha vida. Eu estava completamente afogada em sentimentos, e decidi senti-los... todos com a mesma intensidade, independente se bons ou ruins, eu quis experimentar..  

Eu passei a sentir tudo, mais do que deveria, mais que o normal. Talvez eu não enxergue o mundo da maneira que deveria. Talvez eu tenha deslizado por caminhos, sem prestar muita atenção por onde estava andando. Não sei.. Às vezes passo mais tempo dentro da minha própria mente... Eu tentei ser uma boa garota, boa aluna, boa filha, uma boa cidadã, boa cristã, sim, eu tentei. Tentei "amar" como todos amam, tentei ser o que me pediam pra ser.. Mas tudo foi vão, simplesmente, não era eu.

Com o tempo fui aprendendo a lidar com certos sentimentos, e a controla-los. Eu não sei se isso me tornou mais humana, ou uma pessoa mais completa, porém, uma pessoa mais resolvida comigo mesma, sei que sou. Hoje eu acredito em mim, e talvez eu realmente seja uma "esquisitona", e talvez eu não pertença mesmo a este mundo, e quem disse que quero pertencer?!  Me orgulho em dizer que não acredito no que todos acreditam, que não enxergo o mundo como todos enxergam. Eu pertenço somente a mim. E essa é essência da minha da vida.

" Ser livre é possuir a si mesmo "

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Társis Farias






Fiz meu melhor, e não consegui o sucesso.
Tive o que quis, mas nunca o que eu precisei...
E meu verão acabou se tornando mais frio que o inverno.     

Enfrentei a fúria da ventania dentro de mim,
As lágrimas rolaram pelo meu rosto, com mais peso que imaginei.
 – Sinto-me cansada, e mesmo assim, não tem dormir.
Andando feito sonâmbula à noite, dando ênfase ao vazio que sinto.

Ao longe ouço um sussurro, apenas um sussurro,
É a esperança e os bons pensamentos... Alguém veio me salvar,
Ouviram meu grito de socorro, enfim a salva.

E agora já posso sentir o que há anos não sentia.
Sei que não ficarei sozinha nesse inverno, existe um acalanto.
Minha mente está clara, chegou o tempo que tanto esperei,
Sem choro, nem dor. A velha garota psicótica voltou.



Para mais, acesse o site Recanto das Letras/Társis → http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=77549

24 maio, 2012


O vídeo fala por si só, portanto, poupo minhas palavras aqui. Assista!
[Dica: Botão CC ativa a legenda/Abra o vídeo no youtube]


''Love is old, love is new, love is all, love is you. All you need is love''




23 maio, 2012






'' Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo''


A frase dessa música já fala por si só, não preciso gastar tantas palavras para explicar... Enfim, decidi fazer, na verdade, ativar esse blog pelo seguinte motivo, quer dizer, não só por esse motivo, mas entre tantos esse me veio à tona; tenho um blog(G.F) em parceria com a Samila Neres, do qual já está em desuso há bastante tempo, e eu acabei parando para ler e percebi quantas ideias tortas depositamos ali, claro, totalmente condizente com a nossa idade na época e ao nosso mundinho particular.. A questão que levanto aqui é; O ser humano, está e sempre estará em constante mudança, não importa se progredindo ou regredindo, haverá uma mudança. E não tem o porque de se envergonhar, se hoje conseguimos nos enxergar melhor que ontem, qual é o problema?! A vida por muitas vezes, na verdade, na maioria das vezes nos passa tão despercebida, deixamos de fazer tantas coisas, tomamos decisões das quais nos convencemos que é a melhor, vestimos a camisa do ''Eu sou assim e não vou mudar'' e seguimos adiante, que grande erro o nosso.. Hoje eu percebo quão tola já fui, ou até mesmo, quão tola ainda sou. No entanto, estou tentando mudar essa condição a cada dia. A cada raiar do sol, a cada entardecer eu vou me renovando, e vou aprendendo a lidar com o mundo, me possibilitando a dar várias formas e novos olhares sobre a vida, e é óbvio que não é fácil, mas eu não estou disposta a desistir. E assim vou seguindo. Certa ou não, saberei mais pra frente.. Por hora, tento dar o melhor de mim. :D

Aguardem, novas postagens virão.


Att.
Társis Farias