27 junho, 2013

Fresta Em Um Universo

  I

O frasco é o universo
O reverso é fresta
O universo é frasco

Frasco que quebra frágil
Explode pedaços
No avesso do espaço

Espaço no mínimo
Máximo
Eu cheio
De mim
Estrelas

 II

Parcialmente fresta
Sem ar
No vazio
Ecoar
Universo que há
Em mim
Cheio




10 junho, 2013

 ...

Juntas demos tantos significados às coisas
Juntas inventamos tantas palavras
Juntas soubemos amar
Dividimos o mesmo riso
Dividimos o mesmo pranto
Dividimos o mais nobre sentimento
Nos separamos por querer
Nos separamos por não poder
Nos afagamos
Sim, eu sabia que tudo estava certo
Que cada astro estava em seu lugar
E que a estrela cadente enfim me atendeu
Meu amor era teu
Um amor 
De lento coração e
Curtos passos, de nunca
Deixar sangrar nossa canção
Sim, assim é nosso amor
Quase ateu, todo meu
Livre de repressões
Escravo de ilusões
Uma dor , um ardor, um amor
De desprezo e desejo
De saudade e de confete
Um regado e sangrado coração
De amor marolado
De amar ao seu lado

...


Um espasmo poético à Carina Paes, meu Cariño.
Por toda uma vida, minha menina.



04 junho, 2013


Talvez tenha sido pouco contigo, com medo de ser inteira
Ou talvez fosse inteira e aos poucos me desfiz
Do gozo ao choro, da luz às trevas, assim se deu
Assim, de repente, invadi teu caminho... Invadiu meu caminho
Perdi-me da trilha, me refiz em teus passos
Cresci. Com os olhos marejados me lembro do passado
Confundimos-nos tantas vezes, por vezes fui você, por vezes você me foi
Escapei. A roubaram de mim... 
Esqueci. Esqueci como é ter o coração seco,
Já que me regava com o teu sangue, liguei-me a tua alma
Não percebo e já não sinto. Apenas sei que está aqui comigo
Não a vejo, nem contemplo 
Apenas lembro-me do meu caminho, 
Pois no meu caminho tinha uma Pedra e uma Metade
E por esse caminho passava outra metade, 
A Metade tropeçou na Pedra e se chocou com a primeira Metade,
Tornando as batidas do coração rítmicas e sincrônicas, as fazendo inteiras,
Harmonizando um só tom e uma só cor, 
Presas a um elo, sendo raras, sendo amor.

Quando no teatro o meu papel foi o do Vento e o seu, meu amor, o da Pedra.
À minha amante incestuosa, Wellen de Oliveira.
Minha eterna Maranhense Abextada, rs.


26 maio, 2013

"Yeki bood, yeki nabood. Havia alguém, não havia ninguém. "




O tempo vai nos moldando, às vezes nos tornamos pessoas melhores, às vezes piores, às vezes continuamos os mesmos, e assim, se dá a vida. O engraçado é que nunca conseguimos nos desligar ou nos afastar da pessoa que éramos. Mesmo que escondido ou imperceptível, sempre haverá resquícios do que fomos e isso nos visita como bons velhos amigos ou nos assombra como velhos fantasmas.

O passado se foi. Basicamente, a maioria dos dias não tem impacto no decorrer da vida. Você acorda e estuda/trabalha, volta pra casa e continua com os mesmos e antigos hábitos, e assim vai levando. E quando se dá conta, você repetiu um dia da sua vida religiosamente por 30 anos. Vivendo um eterno presente.

O espelho na parede se torna um “dedo-duro’’, o pior delator. Ao olhar para ele, vê sua imagem refletida e sem cor, lhe falta cor, tudo se tornou cinza. Em questão de instantes ficamos invisíveis.

Acabamos nas mãos ventríloquas, somos fantoches da fragilidade e do medo. Resignados, habituamo-nos tanto a não fazer nada, somos a geração do “deixe estar’’, “miojo 3 minutos’’, a geração da “bunda molice”. Temos medo da mudança, preferimos viver aprisionados, e por final, como válvula de escape, assistimos à novela das 9h tentando nos encontrar em algum dos personagens, nos metamorfoseando, procurando em cada canal um herói para ser a nossa fonte de vida, o alimento propício para um corpo já vazio, sem alma, sem sentimentos.

Naturalmente nós nos adequamos ao que a sociedade pede. Assumimos tantos papeis ao longo desse teatro, que perdemos nossa própria identidade, deixando um pouco de nós em cada atuação, matando aos poucos nossas memórias, desejos, sonhos, ambições, criações, realizações, frustrações...

Esvaziamos o nosso corpo, viramos um recipiente vazio, pronto para ser preenchido com as drogas que o sistema nos dá no dia a dia, nos anestesiaram. Transformamos-nos em Seres-Desumanos e nocivos. Os valores, o amor, se tornaram algo imaginário.

E já na reta final, algo dentro de você chora. Um velho fantasma do passado vem te visitar.. Você percebe que viveu toda uma vida sem saber o que realmente era e o que queria, e no final amargo, reconhece a sua verdadeira natureza, consegue visualizar toda uma vida da qual realmente almejou quando jovem. Tarde demais? Talvez sim, ou talvez ainda lhe reste algum tempo.

Pelo fato de morrermos a qualquer momento, deveríamos fazer de tudo para viver. É preciso mudar, e a mudança deve começar de dentro, é preciso enxergar a vida com outros olhos, para visualizarmos um futuro, um amanhã no mínimo prazeroso. Devemos gozar de tudo que aparece na nossa vida; Dores, perdas, vitórias, acertos, erros... Não importa o que seja e quão intenso seja, é disso que é feito a vida, e devemos tirar o proveito necessário.

É possível mudar e encarar a realidade, bater de frente com certas regras impostas, é difícil, verdade, mas se nos esforçarmos, por mais que a jornada pareça inútil, com certeza, só com a sua atitude em “querer mudar” trará algum resultado.

E se puder, não perca a essência da vida. Até mesmo no exalar do último suspiro, deveríamos regozijar por uma vida bem vivida.

--
Társis Farias

09 abril, 2013

Chão




Ainda na cama, esperando o sol nascer me pegava pensando no segurar das nossas mãos, dos movimentos praticamente naturais dos nossos corpos, das nossas risadas, pensava em todos os momentos que nos definiram, todas as experiências, todos os lugares que passamos, todos os nossos anseios e receios... Pensava naquele estado de “embriaguez amorosa” quase infindável, pensava em como nada nos afetava, como nada me afetava; nem o escaldante calor do verão, nem mesmo o sopro gelado do inverno. E depois sem muitas intenções eu...

Não dói, não da forma que deveria doer. O que dói, na verdade, é não conseguir sentir, não sinto nada... Tentei arduamente me lembrar por dias de como era, tentei incansavelmente me fazer sentir, tentei não tornar algo sagrado em blasfêmia, mas tentei em vão. Na maioria das vezes finjo para mim mesma que sinto saudades, quando de fato não sinto. Sinto apenas...

- O despertador toca, são 6 horas da manhã, e uma pequena claridade invade o quarto, acordo. Ponho lentamente os pés no chão... os fixo bem, sem ter erros de quedas e tropeços. Agradavelmente sinto o chão.



25 março, 2013

#PSYCHOPASSEP22S01



O para sempre, sempre acaba e “todo carnaval tem seu fim”, rs.
 É engraçado, como a atenção que dou para os desfechos de animes é mais valorizada do que a atenção que dou às séries e mini séries. Anime tem uma peculiaridade única, que é a sua filosofia. Qualquer anime independente do gênero, vai conter uma crítica, uma lição de moral... Enfim, animes sempre vão ter algo a ensinar.


O anime dessa vez foi Psycho Pass, com apenas 22 episódios (infelizmente), que citou de Shakespeare à Bretch, de Max Weber à Foucault. 

A trama se passa em uma cidade do futuro, onde existe uma nova forma de governo, controlada pelo Sistema Sibyl, esse sistema sombrio, está presente na vida de cada cidadão, controlando o seu estado psicológico/mental todo o tempo. É um sistema completamente robótico que escolhe até mesmo a profissão e o qual estilo de vida a pessoa se encaixa, o nível de estresse de cada pessoa é medido, caso alguém tenha uma elevação no nível de estresse, esse alguém é diagnosticado e é sujeito a terapia, caso o nível de estresse não baixe, ele é taxado nas seguintes categorias: criminoso e criminoso latente. O ”criminoso” é preso e o “criminoso latente” é sentenciado à morte. Encarregados pela Sibyl System, detetives e justiceiros ficam a cargo de matar ou prender criminosos, sendo que os justiceiros são pessoas com o nível de estresse alto, não podendo viver em “liberdade”, pois são considerados “cães perigosos” e a única função que desempenham bem é a de caçar e matar criminosos, já os detetives são "livres", possuem o nível de estresse AZUL, ou seja, na medida certa, e também são incumbidos de controlar seus "cães", os justiceiros. E assim a cidade permanece em "ordem".


Bom, por motivos gerais e pessoais foi uma despedida dolorosa, confesso...  E ao longo da trama, acabei torcendo pelo vilão, o Shogo Makishima. Ele me trazia a esperança de que a Sibyl System estava por um triz, e que com sua "ajuda", sua arte e sua forma de ver o mundo, ele acabaria com governo Sibyl para sempre... Ele não conseguiu, mas causou um grande impacto e fez com que os demais descobrissem a verdade sobre o “perfeito sistema”. Anyway, outro personagem que me deixou bastante intrigada foi o Shinya Kogami; ele era um detetive que acabou perdendo "seu justiceiro" de uma forma trágica, e determinado a vingar a morte do seu "cão" acabou perdendo o controle do seu psycho pass (nível de estresse), sendo rebaixado a um "cão"/justiceiro, e mesmo perdendo sua liberdade e regalias, o Kogami nunca se esqueceu ou desistiu do caso não resolvido, e por mais que a Sibyl não aprovasse, ainda assim, ele conquistaria sua vingança, mesmo se precisasse passar por cima das regras.


É interessante perceber que mesmo Makishima e o Kogami sendo inimigos e se odiando, talvez, eles se completavam... Na verdade, o Makishima era uma extensão do Kogami e vice-versa. O que é bem característico de anime/mangá: Há sempre dois personagens rivais centrais cujo um busca pelo outro,  são personagens que possivelmente  tiveram experiências de vida semelhantes, e em um dado momento ocorre uma ruptura e cada um segue seu caminho. Depois, passado algum tempo os caminhos se cruzam, e daí começa toda a elucidação filosófica da teoria Yin Yang; do dualismo em cena, dos opostos se complementando e afins... Uma explicação clichê "Nenhum mal é de todo mal, e nenhum bem é de todo bem" não há perfeição se ambos não estiverem conectados, digo, no caso dos personagens. Enfim, ao meu ver; se tivessem estendido o anime, a trama seria mais validada, mais consolidada, a relação entre o Kogami e o Makishima poderia ter sido muito mais explorada, barraria vários animes/mangas de "raciocínio", e claro, para o meu deleite; minhas horas de lazer seriam melhores haha Ah, e todos os fãs, otakus e demais categorias creem numa possível 2° temporada, quem sabe... No mais, esse anime me foi bem proveitoso, super recomendo!





Spoilers/FALA#PSYCHOPASSEP22S01  #FIM

(Fonte imagem: http://www.elfenliedbrasil.com)


Shinya Kogami (Ex detetive, justiceiro fugitivo em prol de vingança/justiça “o mocinho rebelde”) diz para Makishima: - Você não conseguiu suportar a solidão! 


Makishima diz: - Quem não é solitário nessa cidade? Neste mundo onde todos são protegidos pelo sistema e vivem acordo com as normas do sistema, uma comunidade não é mais necessária. Todos apenas vivem em suas pequenas celas, e o sistema os domina dando a eles suas próprias serenidades. Você também é assim, não é, Kogami? Ninguém aceitou sua justiça, ninguém entendeu sua raiva também. Então você virou as costas para a confiança e amizade, e até abandonou o único lugar do qual podia pertencer, para vir até aqui. E mesmo assim, você ri da minha solidão? Mas sabe... Eu valorizo bastante alguém que não teme a solidão... E você, que transforma “solidão” em arma.

Desenrolar do episódio(...)





Makishima diz: - Todos são solitários, todos são vazios. As pessoas não precisam mais umas das outras. Pode-se sempre encontrar um substituto para qualquer talento. Qualquer tipo de ralação pode ser substituída. Eu estou cansado “desses mundos”. Mas por alguma razão, a ideia de que alguém além de você (Kogami), iria me matar, nunca passou pela minha cabeça... Depois disso você poderá encontrar um substituto para mim?

Kogami diz: - Bem, eu com certeza espero que não.

Akane (detetive) “OFF”: Há muito tempo atrás... Mesmo antes deles se conhecerem, eu acredito que este destino já os esperava. Eles não eram como navios passando na noite. Não é que eles não se entendiam, eles entediam um ao outro melhor que ninguém, e um se concentrava apenas no outro.






13 março, 2013

HOTEL DESIRE

+18

Hotel Desire é um curta-metragem erótico, alemão, escrito e dirigido pelo jovem, Sergej Moya, produzido em 2011. 
É um filme sensível, com uma fotografia FANTÁSTICA, com uma narrativa brilhante, com alta sensualidade, e com um final esplêndido, na verdade, o filme acaba e você pede mais. 
O curta conta a história de Antonia (Saralisa Volm), mãe solteira, que desde o divórcio com seu marido, e o nascimento do seu filho, ela tomou para si responsabilidades maiores do que podia imaginar. E ao longo do tempo, foi esquecendo dela mesma, dando prioridade unicamente para seu filho. Na verdade, ela acaba aceitando a ideia de que essa fosse sua "sina", ou "destino"; de trabalhar e cuidar do seu filho. Até que em um belo dia ensolarado, o filho dela viaja, vai para França passar 2 semanas na casa de seu pai. 
E Antonia segue sua rotina, vai para o hotel onde trabalha, e conversa (e não é só uma conversa comum, ela esquenta ao longo dos minutos) com uma colega de trabalho no vestiário, sua colega a encoraja, dizendo que não podia esquecer que além de ser mãe, ela também era uma mulher com desejos e necessidades. Antonia sai e continua seu trabalho, mas pensando sempre nos conselhos que a sua colega havia lhe dado. Antonia chega em um dos quartos do hotel para fazer a limpeza rotineira, e acaba encontrando o que ela buscava mesmo que inconscientemente.
Sem saber que havia alguém no quarto Antonia começa a observar os pertences de Julius Pass (Clemens Schick), hóspede do hotel, até que ele sai do banho e vai em direção a sua cama, onde estava Antonia, o interessante é que Julius é cego, logo, Antonia se esconde e tentar não emitir sons, mas Julius ao procurar seus sapatos no chão, encontra os sapatos/pés de Antonia, e silenciosamente, os dois começam a se tocar de forma tímida, desde os pés à cabeça. Antonia seguindo o conselho de sua amiga, deixou tudo acontecer com a devida leveza, e então a cena mais quente do filme ocorre, sexo explícito, "tchanam!" Que é o clímax da trama. Lembrando que não é um pornô, e não é um filme de cenas fortes e "toscas", como a clássica cena de Marlon Brando em "O Último Tango em Paris", o cuidado que o diretor teve em Hotel Desire foi perfeito, a cena foi tratada com demasiada delicadeza, como Julius é cego, houve o abuso do toque, ou melhor, houve o uso dos outros sentidos.
Dentro desse quarto de hotel, se passou a representação de uma fuga perfeita para ambos os personagens, a libertação de uma mãe contida, e transformação (de volta e até melhor) para o que um dia ela fora, uma mulher que estava sedenta por uma "específica atenção", saciando seus desejos reprimidos, a demonstração da paixão, gentileza, leveza e afins, serviu para ir caracterizando o filme, dando até mesmo certa elegância. Apesar do sexo explícito, ao meu ver manteve uma linearidade de inocência e beleza, não foi uma cena de ferir os olhos, mas pelo ao contrário, sim, de encantar os olhos. Foi um curta-metragem perfeito para o que foi proposto. Vale a pena assistir! 




Hotel Desire
38 min. Curta

Gênero: Drama, Romance.


Direção e Roteiro: Sergej Moya


Elenco: 


Saralisa Volm (Antonia)

Clemens Schick (Julius Pass)
Jan Gregor Kremp (Marcel)
Carlo Ljubek (Galerist Dennewitz)
Frederick Lau (Doorman)
Herbert Knaup (Hoteldirektor)
Palina Rojinski (Julia)
Petar Knezevic (Französisches Model)
Trystan Wyn Puetter (Rezeptionist)

Produtores: Christopher Zwickler, Julia Lischinski, Sascha Schwinge


País de Origem: Alemanha


23 fevereiro, 2013

Secos



 ...
A janela estava entre aberta, e o vento soprava na cortina..
Clarões, os gritos dos trovões e monstruosas lágrimas vindo do escuro céu...
Era uma tempestade.. E eu não sabia se era noite ou dia.

O chão não iria se abrir por você não acordar do meu lado mais uma vez.
Era meu último cigarro, era minha última promessa, era meu último amor..
Calço minhas sandálias, visto suas roupas e seu cheiro se mistura com a fumaça, 
Meu choro se mistura com o café velho, já não penso em nada.

Precisava haver alegria, ou deveria ser meu fim por tolerar o que não me bastava... 
Cansada, eu fui austera, e como um juiz determinei a nossa sentença.
 E hoje, com os meus lábios já secos de tanta saudade, só penso em voltar.

http://www.recantodasletras.com.br/poesias/3055112

20 fevereiro, 2013

Era Só Um Menino



Eu estava com medo
Eu era um menino
Eu estava com frio
Eu estava à beira de um rio

Eu estava com frio
Eu era um menino
Eu estava perdido
Eu estava em cima de uma ponte

Eu estava com fome
Eu era o estomago vazio
Eu estava com frio
Eu era o corpo sem abrigo

Eu estava sozinho
Eu era a solidão
Eu estava chorando
Eu era as lágrimas nos olhos do menino

Eu estava com frio
Eu estava com medo
Eu estava com fome
Eu estava sozinho
Eu saltei sem saber voar
Mergulhei sem saber nadar
E eu era só um menino.

24 janeiro, 2013


Shut the fuck up, society.





"Consideramos até agora, em pormenor, as personalidades aprovadas de cada sexo, entre três grupos primitivos. Vimos que os Arapesh - homens e mulheres - exibiam uma personalidade que, fora de nossas preocupações historicamente limitadas, chamaríamos maternal em seus aspectos parentais e feminina em seus aspectos sexuais. Encontramos homens, assim como mulheres, treinados a ser cooperativos, não-agressivos, suscetíveis às necessidades e exigências alheias. Não achamos idéia de que o sexo fosse uma poderosa força motriz quer para os homens quer para as mulheres. Em acentuado contraste com tais atitudes, verificamos, em meio aos Mundugumor, que homens e mulheres se desenvolviam como indivíduos implacáveis, agressivos e positivamente sexuados, com um mínimo de aspectos carinhosos e maternais em sua personalidade. Homens e mulheres aproximavam-se bastante de um tipo de personalidade que, em nossa cultura, só iríamos encontrar num homem indisciplinado e extremamente violento. Nem os Arapesh nem os Mundugumor tiram proveito de um contraste entre os sexos; o ideal Arapesh é o homem dócil e suscetível, casado com uma mulher dócil e suscetível; o ideal Mundugumor é o homem violento e agressivo, casado com uma mulher também violenta e agressiva. Na terceira tribo, os Tchambuli, deparamos verdadeira inversão das atitudes sexuais de nossa própria cultura, sendo a mulher o parceiro dirigente, dominador e impessoal, e o homem a pessoa menos responsável e emocionalmente dependente. Estas três situações sugerem, portanto, uma conclusão muito definida. Se aquelas atitudes temperamentais que tradicionalmente reputamos femininas - tais como passividade, suscetibilidade e disposição de acalentar crianças - podem tão facilmente ser erigidas como padrão masculino numa tribo, e na outra ser prescritas para a maioria das mulheres, assim como para a maioria dos homens, não nos resta mais a menor base para considerar tais aspectos de comportamento como ligados ao sexo".


[MEAD, Margaret. Sexo e temperamento. 1976. p.267-268]



23 janeiro, 2013

Amadas




É noite, quase madrugada, e as mais cintilantes estrelas começam a ocupar mínimos espaços do céu. Como em uma valsa bailam solenes pelas ruas escuras. Atrizes intrínsecas roubam as cenas. Tornam-se amantes...
Pobres lindas flores, podadas antes mesmo de desabrochar, seu perfume é um misto de suores e cachaça. Frágeis e sem modos, perdem o nome e juízo.

Doaram-se para a casa dos homens, desfilam um corpo já marcado, vestem-se de “sangrado coração”, pintam suas bocas, enfeitam-se e brilham, mas não para si, pois não reconhecem a vaidade de corpo e alma feminina.

De tudo ouvem; grosseiras palavras às juras de amor.  Com o tempo, indelicadamente esqueceram-se de sorrir, acostumadas a fingir, enclausuradas, presas de si, sem fé... Caladas de um silêncio fúnebre, ardem de dor.

Ah, belas putas...  Aprisionaram um antigo amor que não puderam viver, e hoje esperam encontrar resquícios do tal amado em cada corpo embebido de desfaçatez, sempre firme à dominar o asco com o gosto amargo da aguardente. Embriagadas de amor, nuas de vergonha, não hesitam no penoso ofício do prazer lancinante.

Em seu peito quebrado ainda pulsa um coração; bombeado de um abismo infindo, repleto de mistérios que a própria vida desconhece.

Loucas variadas, sedentas ninfetas; infeccionadas com o veneno de uma paixão putrefata. Contrastam dor e beleza, são elas o tudo e o nada, são de todos e de ninguém, heróicas sensitivas, guerreiras suicídas, estrelas caídas, coadjuvantes queridas e temidas, cantoras, atrizes, lindas chorosas, musas, malditas, quistas mulheres; mulheres renegadas e abandonadas a cada amanhecer, mortas e fatigadas de tanto viver, renascidas a cada anoitecer ...

21 janeiro, 2013

"Das Leben Der Anderen"



O filme “A Vida dos Outros” (Das Leben Der Anderen, 2006, Alemanha) é do diretor Florian Henckel von Donnersmarck, é um belíssimo drama alemão, vencedor do Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro de 2007, sua nota no IMDB é de 8.5. Florian Henckel produziu um roteiro brilhante do qual me apaixonei, é inebriante, me envolveu a todo o momento e vou falar o porquê, mas antes de tudo é fundamental entender o contexto histórico que o filme retrata.

Em 1949, quatro anos após a Segunda Guerra Mundial um estado foi criado na Zona de Ocupação Soviética, dando origem a RDA (Alemanha Oriental), que foi um regime socialista e totalmente controlado pela União Soviética. A história do filme acontece em meados dos anos 80 em Berlim (Oriental), onde o Serviço de Informação Comunista chamado Stasi (Ministério para a Segurança do Estado) controla tudo, qualquer movimentação ligada à Alemanha Ocidental.


As primeiras cenas do filme são em uma sala de interrogatório, onde está o agente da Stasi, capitão Gerd Wiesler (Ulrich Mühe), que é perito em interrogatórios e espionagem, fiel ao seu governo, acredita piamente na filosofia política socialista da RDA e em nenhum momento questionava a veracidade do seu governo e/ou trabalho.


Wiesler é um personagem metódico, sistemático, solitário e frio, um verdadeiro robô, sem vida ou sentimentos, com ações extremamente mecânicas, a sua vida sempre se resumia a trabalho. Bom, voltando à sala de interrogatório; Wiesler estava há mais de 40 horas interrogando um jovem rapaz infrator que violou as regras do sistema da RDA, sempre com uma postura firme e rígida e sem nunca amolecer conseguiu tirar a verdade do jovem infrator, mas sem violência física alguma, apenas psicológica. Pula a cena e Wiesler está em uma sala de aula mostrando a gravação do mesmo interrogatório, e um aluno o interrompe e pergunta algo sobre o método usado no interrogatório, do tipo “Não é duro demais?” Wiesler solenemente lhe explica que “não”, porém imediatamente marca com um “x” o nome do aluno em uma espécie de lista de chamada. Não vou detalhar quadro a quadro as cenas do filme aqui, mas é importante compreender essa trajetória do agente da Stasi, Gerd Wiesler.


A história do filme só começa a se desenrolar quando aparece um talentoso artista, escritor e poeta Georg Dreyman (Sebastian Koch), conceituado nas duas Alemanhas, que estava com uma peça em cartaz no teatro na Berlim Oriental, onde a atriz principal Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck) é sua namorada [e que inclusive moram juntos]. Christa-Maria é uma ótima atriz, viciada em remédios, com baixa auto-estima... é um personagem completamente inseguro, ansioso, e que faria de tudo para conseguir se manter na “mídia” e ser reconhecida.


A trama dá inicio quando Wiesler ao ver Dreyman presume que o poeta de alguma forma conspirava contra o governo, com ajuda e consentimento do seu superior conseguiu colocar escutas clandestinas no apartamento do Georg Dreyman, e o monitorava 24h.


É interessante observar a fotografia do filme que é monocromática; tende para tons gelados, o que é super intencional, pois serve para legitimar a idéia da trama, apenas na casa do Dreyman a mudança de luz ocorre, possui cores mais vivas. São certos detalhes que fazem toda a diferença na composição dessa obra de arte.


Wiesler monitorando o apartamento descobre que Christa tem um caso com Ministro Bruno Hemp (Thomas Thieme), Wiesler faz com que o Dreyman também descubra a traição de Christa, mas Dreyman a perdoa e tenta convencê-la de que ela é uma mulher talentosa, forte, e que não precisa ter um caso com o Ministro para ser reconhecida. Wiesler ao ouvir tudo começa a ter uma visão diferente da qual ele tinha sobre Dreyman.


Dreyman ainda “dançava conforme a música” da RDA , não concordava com aquele sistema, mas não fazia nada para mudá-lo, apenas o aceitava. Temia acabar como seu amigo Albert Jerska (Volkmar Kleinert) que também era um artista, contra o sistema da RDA, e deixava bem claro, mas tudo tem um preço e o preço que Jerska pagou foi alto. O afastaram do teatro, apagaram seu nome do rol de grandes artistas, completamente abandonado e esquecido, Jerska comete suicídio. Dreyman o viu pela última vez em sua festa de aniversário, Jerska havia lhe dado uma partitura intitulada de “Sonata Para Um Homem Bom”. Dreyman abalado com a morte do seu amigo resolveu fazer um artigo sobre o suicídio, afirmando que era um problema social e que a Alemanha Oriental fazia pouco caso das taxas de suicídios (Auto Assassinatos segundo a lei da RDA). Dreyman envolvido com o artigo e pensando em seu amigo, resolveu tocar a música contida na partitura, e esse é um dos momentos cruciais do filme, pois Wiesler se emociona ao ouvir, e Dreyman comenta com sua namorada “que só os homens bons podem realmente compreender músicas como essa a ponto de se emocionarem”. E a partir desse momento, Wiesler sorrateiramente, começa a ajudar Dreyman, ao invés de colocar a verdade em seus relatórios, Wiesler relatava que Dreyman e seus amigos apenas faziam uma peça em comemoração ao aniversário da RDA. 



O livro favorito do Dreyman era o de poemas de Berthold Brecht, Wiesler roubou o livro e foi para sua casa ler, deitado em seu sofá, pela primeira vez no filme vimos uma atitude muito incomum de Wiesler, o oposto do retrato insensível de antes, a luz iluminava seus olhos, a sua expressão era de prazer, conseguimos enxergar vida na face de Wiesler ao ler o livro, era como se fosse a sua redenção. E observar a vida de Dreyman foi a sua salvação, ele via a vida de Dreyman e seus amigos e comparava com a dele e de seus colegas de trabalho na Stasi, e ele viu o quanto eles (agentes da Stasi) estavam se enganando e como estavam errados... como agentes corruptos poderiam julgar-se certos?! E por que os artistas que mostravam a verdade com sua arte eram os errados?!


O Artigo de Dreyman foi lançado anonimamente na Alemanha Ocidental, e os agentes da Stasi logo começaram a desconfiar da fidelidade de Wiesler. Christa-Maria foi capturada e sofreu ameaças de perder sua carreira e não ser mais famosa, sobre pressão acabou entregando Dreyman e foi liberada, Christa volta para o apartamento bastante atordoada, sabendo que logo os agentes da Stasi estarão batendo em sua porta. Quando os agentes da Stasi chegam, Christa foge e é atropelada por um ônibus e acaba morrendo, e os agentes não encontraram nenhuma prova no apartamento de Dreyman, o mesmo pensou que Christa havia limpado seu apartamento e o ajudado. Na verdade, os agentes da Stasi sabiam que quem havia ajudado Dreyman, era o Wiesler e por isso acabou sendo rebaixado à função de “carteiro”.


Dreyman se sentiu culpado pela morte de Christa e desde então não conseguia mais escrever. Passado anos, após a queda do muro de Berlim, a peça de Dreyman onde Christa era a atriz principal voltava em cartaz com uma proposta mais futurística, Dreyman não conteve suas lembranças e decidiu sair do teatro, onde se encontrou com o Ministro Hemp e o fez uma pergunta “De todos, por que apenas o meu apartamento não tinha escutas?”, o Ministro respondeu que o apartamento dele esteve grampeado por meses. Dreyman assustado e sem acreditar voltou ao seu apartamento e foi tirar a prova, e acabou descobrindo as escutas.


Decidiu ir até o Museu de Memórias e pediu para ler o seu arquivo da época em que foi vigiado, completamente espantado ao ver a pilha de seus arquivos, começou a ler os relatórios feitos e mais espantado ficou, Dreyman enfim parou de se culpar pela morte de Christa, na verdade ela que o havia delatado, enquanto o agente de codinome “HGW XX/7” o havia encoberto, Dreyman pede para ver quem era o responsável por esse codinome e descobre que era o Wiesler. Dreyman vai ao encontro de Wiesler mas não consegue lhe pedir desculpas. Anos após, Wiesler passa em frente um livraria e se depara com o livro de Dreyman de nome “Die Sonate Vom Guten Menschen” (Sonata para um homem bom) ao abrir o livro, Wiesler se assusta ao ler a dedicatória: “Para HGW XX/7“, e é essa a cena final do filme, de uma delicadeza e sutiliza irreal. A trama inteira mostra como o homem é dinâmico, maleável, mostra que pode haver mudanças tanto para o bem quanto para o mal. Wiesler participou da vida do Dreyman, e pela primeira vez não se sentiu sozinho, na verdade se sentiu vivo. Mesmo ele tendo sido rebaixado não se arrependeu de tê-lo ajudado, por que na verdade ele acreditava que era o certo a fazer, deixou de ser um robô do sistema e passou a acreditar mais em si e nas suas crenças e ideologias, inspirado pela bondade que viu em Dreyman, Wiesler passou a viver.



Curiosidade: Ulrich Mühe ganhou o prêmio de melhor atuação pelo filme e infelizmente meses depois faleceu (Grimma, 20 de junho de 1953 — Walbeck, 22 de julho de 2007. O filme “A Vida dos Outros” também foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira. O custo de produção de foi de apenas dois milhões de dólares, mas seu lucro mundial foi de mais de 77 milhões. Em 2009, a revista estadunidense National Review nomeou “A Vida dos Outros” o melhor filme dos últimos 25 anos.



12 janeiro, 2013






(Belo Monte, Anúncio de Uma Guerra -Full)



 "O futuro de tudo que realizamos desde a evolução de nossa inteligência dependerá da sabedoria de nossas ações ao longo dos próximos anos. Tal como todas as criaturas, os seres humanos conquistaram seu lugar no mundo até aqui por meio de tentativas e erros; diferentemente das outras criaturas, a nossa presença hoje é tão colossal que o erro tornou-se um luxo que não podemos mais sustentar. O mundo tornou-se pequeno demais para nos perdoar de qualquer grande erro"[p.15]


"Mas se o progresso forte o suficiente para destruir o mundo de fato é moderno, o mal da escala, que transforma benefícios em armadilhas, nos aflige desde a Idade da Pedra. Esse mal vive em nós e aflora toda vez que levamos vantagem sobre a natureza, desestabilizando o equilíbrio entre a astúcia e a imprudência, entre a necessidade e a cobiça." [p.20]


"A razão mais iminente para a mudança do nosso sistema é que o sistema não é de interesse de ninguém. Ele é uma máquina suicida. Todos temos uma certa inércia de dinossauros dentro de nós, mas, sinceramente, eu não sei o que os "dinossauros" ativistas - os duros homens e mulheres das corporações de petróleo e da ultradireita - pensam estar fazendo. Eles têm filhos netos que precisarão de comida saudável, ar e água limpos e que podem querer ver florestas e oceanos vivos. A riqueza não pode comprar um refúgio [...] E a riqueza não é uma proteção contra o caos..." [pp.155, 156]

▬ Uma Breve História do Progresso, Ronald Wright

Nota: Esses são uns dos trechos que mais me chamam atenção no livro do Ronald Wright, acho um assunto pertinente, importante nos dias de hoje, o autor nos mostra como o crescimento desenfreado do século XX em termos de população humana, e o excedente consumo de tecnologia tem colocado um peso autodestrutivo sobre o mundo. Através de fatos históricos, o autor nos mostra exemplos da evolução da sociedade e de como a mesma tende ao "fim" por seus luxos e necessidades. Segundo Wright o progresso em demasia nos leva ao caos, nos leva a nossa própria destruição, por mais que talvez não estejamos diretamente ligados ao que está por vir, de uma forma ou de outra seremos atingidos.Todos, independente de classe social, status, independente de tudo, todos nós estamos caminhando para um precipício. (Pagaremos ou vamos fazer alguém pagar um preço alto pelo o que estamos fazendo hoje, ou pelo o que não estamos fazendo). Deixo em aberto e fecho com a última frase do livro "Agora é a nossa última chance de acertar o futuro"


02 janeiro, 2013

Retrato de Uma Psicodelia. [1] A linha tênue entre sanidade e insanidade


A linha tênue entre sanidade e insanidade

" Qual é o verdadeiro propósito desse mundo? Me diz um real motivo para existirmos?  "
- Existimos e somos relativos no perfeito do absoluto, somos reais! Mas reais até que ponto? E até que ponto o ser humano está a fim de chegar para descobrir a paralela linha entre vida e morte, entre "são" e "insano". Aqui, fracassos e grandes acertos são confundidos com sorte e azar.

Nada é o que realmente parece ser. As pessoas vão enlouquecendo pausadamente e totalmente sem prazer, são presas e possuídas pelos seus próprios medos e seus pequenos crimes, digeridos a força.

A cidade virtuosa ecoa o som do desespero, enquanto você está correndo e perseguindo o trafego para se igualar e se adentrar em um ritmo acelerado desse nosso "mundo cão"..
Por fim de rotineiros dias; Sempre acaba se esquecendo da ceia e está muito atrasado para um orgasmo.

O relógio sem parar por 1 segundo, te mostra os passados minutos, já perdidos, avançando para o futuro mais próximo. E foi a partir dessa distorção de vida, que nós nos criamos, a nova era de 70 em pleno séc.XXI.  Somos os novos súcubos da mitologia; Inflamamos de desejos, somos sedentos e sentimos fome insaciável. Nós nos tornamos a Linha Sobrevivente, entre o real e o imaginário de Parnasos.

Somos a rachadura de uma pilar de um prédio; comprometemos toda a estrutura, algum dia devido a rachadura o prédio irá cair, nos consideram como um vírus em todo esse sistema.
Provamos de uma excitação perigosa! Pura sensação de liberdade, uma mente completamente aberta, sons apurados, instintos a flor da pele, o uso de funções do seu corpo que talvez nunca tivesse descoberto antes. Ao mesmo tempo tanta coisa ao seu redor, e a singela e repetida fala de que: "Não quero nunca mais nada desse mundo, a não ser... ’’

Que magnífica válvula escape, conseguir se entender, se ouvir, ter percepções que o mundo não ousa a te dar. Há uma tentação de existir, de ser..  A única maneira de se manter "são", é tendo um pouco de insanidade. Estar na ordem e no caos ao mesmo tempo, sendo um Ser completamente Atman.

Bem e mal, caos e ordem, sanidade e insanidade, vida e morte; interligados pelas mesmas linhas que os dividiram desde a existência de um cosmos. Ter a sensação de poder se afastar dessa confusão, dessa dosagem de coma na alma, se sentir vivo outra vez, ser pulsante, sentir o sangue quente correndo nas veias, ouvir e conseguir contar/admirar cada batida acelerada do seu coração, estar vivo outra vez, achar a mesma força vital que se perdeu no escuro, chegando ao seu mais elevado espírito Ser Eu Próprio, reconhecendo seu Verdadeiro Eu, chegando ao ápice de Existir, se tornando o Ser Real.

É como estar à beira de um precipício e conseguir dar o próximo passo, sabendo que haverá um fim, e que no final de tudo, irá descansar sem medo. Pois já não importa o que aconteça, você já se soltou das correntes e grades. E percebeu e  que a vida vai muito mais além do que horários e suntuosos arranha-céus... E Assim se tornando livre, deixando o resto com o mistério da vida, se abdicando de imposições abstraídas e poluídas, se tornando Real no Absoluto, ser Atman. 

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Társis Farias

01 janeiro, 2013

O Retrato de Uma Psicodelia. [2] - Nada Além


Nada Além

Seja, tenha, veja, creia, aceite, se apresse. Cresça, se case, tenha filhos, seja um bom marido, não beba, não fume, não use drogas, não faça sexo, não coma enlatados, faça exercícios, tenha uma casa grande, possua a última tecnologia, não chore em público, não peça favores, não ame, não roube, não faça bagunça, confesse seus pecados, peça perdão por pensar, ganhe dinheiro, respeite o governo...

- Interrompemos essa programação para mais um informativo dos Donos do Poder.
Caro cidadão, lhe pedimos que fique atento as notícias do dia;
Sorria! Trabalhe, respeite seu patrão, sorria. 
Sorria! Vote no senhor da guerra, sorria.
Sorria! Padres tendem a ser pedófilos, sorria.
Sorria! Se continuar aterrado no estresse, você irá morrer, sorria.
Sorria! Policiais entram na corrupção por sua segurança, sorria.
Sorria! Devastamos completamente a floresta e não queremos parar, sorria.
Apenas sorriam e tenham uma Boa Noite! –

Obedientes, continuamos a ter câimbras nas bochechas. Posamos para todos com essas expressões pré-construídas, com um ar solene de hipocrisia e falsidade descarada.
 - Como ficar calados em meio tanta impunidade? Nós nos fazemos esquecer por descortesia, para vivermos em "pseudo-harmonia". -

Nascemos, crescemos, morremos. Enquanto quebro meu silêncio, driblo o tempo. Com pressa eles dizem que meu atraso irá custar. Até quando irá durar?  Caso isso seja o paraíso eu prefiro ficar no inferno.

O ápice da vida está em conseguir sobreviver após o fim. Lutar pelo que quer, se desprender do medo, conseguir arrumar abrigo em uma noite escura, experimentar cores e sabores, embelezar cada derrota, perdas e vitórias.

Vivemos em um infinitivo perdurável de lentas 24 horas, temos paranóias, duvidas, incertezas, cobiças temperadas, desejos impregnados em nossa mente, e não é nada além de um defeito de fábrica, de uma disfunção no seu disco rígido...

Mandem-me calar a boca, me velem por um sorriso consternado, me matem pelo sigilo, me batam por não ouvir música sacra, por não ter plantas de plástico em casa. 

- Será que incomoda ou a gente se acomoda?-  Incontáveis  termos para sermos iguais e nada disso nos satisfaz. 

Seja, tenha, veja, creia, aceite, se apresse.  - A verdade te desconecta. -

Silêncio
Silêncio
Silêncio..

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Társis Farias