24 janeiro, 2013


Shut the fuck up, society.





"Consideramos até agora, em pormenor, as personalidades aprovadas de cada sexo, entre três grupos primitivos. Vimos que os Arapesh - homens e mulheres - exibiam uma personalidade que, fora de nossas preocupações historicamente limitadas, chamaríamos maternal em seus aspectos parentais e feminina em seus aspectos sexuais. Encontramos homens, assim como mulheres, treinados a ser cooperativos, não-agressivos, suscetíveis às necessidades e exigências alheias. Não achamos idéia de que o sexo fosse uma poderosa força motriz quer para os homens quer para as mulheres. Em acentuado contraste com tais atitudes, verificamos, em meio aos Mundugumor, que homens e mulheres se desenvolviam como indivíduos implacáveis, agressivos e positivamente sexuados, com um mínimo de aspectos carinhosos e maternais em sua personalidade. Homens e mulheres aproximavam-se bastante de um tipo de personalidade que, em nossa cultura, só iríamos encontrar num homem indisciplinado e extremamente violento. Nem os Arapesh nem os Mundugumor tiram proveito de um contraste entre os sexos; o ideal Arapesh é o homem dócil e suscetível, casado com uma mulher dócil e suscetível; o ideal Mundugumor é o homem violento e agressivo, casado com uma mulher também violenta e agressiva. Na terceira tribo, os Tchambuli, deparamos verdadeira inversão das atitudes sexuais de nossa própria cultura, sendo a mulher o parceiro dirigente, dominador e impessoal, e o homem a pessoa menos responsável e emocionalmente dependente. Estas três situações sugerem, portanto, uma conclusão muito definida. Se aquelas atitudes temperamentais que tradicionalmente reputamos femininas - tais como passividade, suscetibilidade e disposição de acalentar crianças - podem tão facilmente ser erigidas como padrão masculino numa tribo, e na outra ser prescritas para a maioria das mulheres, assim como para a maioria dos homens, não nos resta mais a menor base para considerar tais aspectos de comportamento como ligados ao sexo".


[MEAD, Margaret. Sexo e temperamento. 1976. p.267-268]



23 janeiro, 2013

Amadas




É noite, quase madrugada, e as mais cintilantes estrelas começam a ocupar mínimos espaços do céu. Como em uma valsa bailam solenes pelas ruas escuras. Atrizes intrínsecas roubam as cenas. Tornam-se amantes...
Pobres lindas flores, podadas antes mesmo de desabrochar, seu perfume é um misto de suores e cachaça. Frágeis e sem modos, perdem o nome e juízo.

Doaram-se para a casa dos homens, desfilam um corpo já marcado, vestem-se de “sangrado coração”, pintam suas bocas, enfeitam-se e brilham, mas não para si, pois não reconhecem a vaidade de corpo e alma feminina.

De tudo ouvem; grosseiras palavras às juras de amor.  Com o tempo, indelicadamente esqueceram-se de sorrir, acostumadas a fingir, enclausuradas, presas de si, sem fé... Caladas de um silêncio fúnebre, ardem de dor.

Ah, belas putas...  Aprisionaram um antigo amor que não puderam viver, e hoje esperam encontrar resquícios do tal amado em cada corpo embebido de desfaçatez, sempre firme à dominar o asco com o gosto amargo da aguardente. Embriagadas de amor, nuas de vergonha, não hesitam no penoso ofício do prazer lancinante.

Em seu peito quebrado ainda pulsa um coração; bombeado de um abismo infindo, repleto de mistérios que a própria vida desconhece.

Loucas variadas, sedentas ninfetas; infeccionadas com o veneno de uma paixão putrefata. Contrastam dor e beleza, são elas o tudo e o nada, são de todos e de ninguém, heróicas sensitivas, guerreiras suicídas, estrelas caídas, coadjuvantes queridas e temidas, cantoras, atrizes, lindas chorosas, musas, malditas, quistas mulheres; mulheres renegadas e abandonadas a cada amanhecer, mortas e fatigadas de tanto viver, renascidas a cada anoitecer ...

21 janeiro, 2013

"Das Leben Der Anderen"



O filme “A Vida dos Outros” (Das Leben Der Anderen, 2006, Alemanha) é do diretor Florian Henckel von Donnersmarck, é um belíssimo drama alemão, vencedor do Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro de 2007, sua nota no IMDB é de 8.5. Florian Henckel produziu um roteiro brilhante do qual me apaixonei, é inebriante, me envolveu a todo o momento e vou falar o porquê, mas antes de tudo é fundamental entender o contexto histórico que o filme retrata.

Em 1949, quatro anos após a Segunda Guerra Mundial um estado foi criado na Zona de Ocupação Soviética, dando origem a RDA (Alemanha Oriental), que foi um regime socialista e totalmente controlado pela União Soviética. A história do filme acontece em meados dos anos 80 em Berlim (Oriental), onde o Serviço de Informação Comunista chamado Stasi (Ministério para a Segurança do Estado) controla tudo, qualquer movimentação ligada à Alemanha Ocidental.


As primeiras cenas do filme são em uma sala de interrogatório, onde está o agente da Stasi, capitão Gerd Wiesler (Ulrich Mühe), que é perito em interrogatórios e espionagem, fiel ao seu governo, acredita piamente na filosofia política socialista da RDA e em nenhum momento questionava a veracidade do seu governo e/ou trabalho.


Wiesler é um personagem metódico, sistemático, solitário e frio, um verdadeiro robô, sem vida ou sentimentos, com ações extremamente mecânicas, a sua vida sempre se resumia a trabalho. Bom, voltando à sala de interrogatório; Wiesler estava há mais de 40 horas interrogando um jovem rapaz infrator que violou as regras do sistema da RDA, sempre com uma postura firme e rígida e sem nunca amolecer conseguiu tirar a verdade do jovem infrator, mas sem violência física alguma, apenas psicológica. Pula a cena e Wiesler está em uma sala de aula mostrando a gravação do mesmo interrogatório, e um aluno o interrompe e pergunta algo sobre o método usado no interrogatório, do tipo “Não é duro demais?” Wiesler solenemente lhe explica que “não”, porém imediatamente marca com um “x” o nome do aluno em uma espécie de lista de chamada. Não vou detalhar quadro a quadro as cenas do filme aqui, mas é importante compreender essa trajetória do agente da Stasi, Gerd Wiesler.


A história do filme só começa a se desenrolar quando aparece um talentoso artista, escritor e poeta Georg Dreyman (Sebastian Koch), conceituado nas duas Alemanhas, que estava com uma peça em cartaz no teatro na Berlim Oriental, onde a atriz principal Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck) é sua namorada [e que inclusive moram juntos]. Christa-Maria é uma ótima atriz, viciada em remédios, com baixa auto-estima... é um personagem completamente inseguro, ansioso, e que faria de tudo para conseguir se manter na “mídia” e ser reconhecida.


A trama dá inicio quando Wiesler ao ver Dreyman presume que o poeta de alguma forma conspirava contra o governo, com ajuda e consentimento do seu superior conseguiu colocar escutas clandestinas no apartamento do Georg Dreyman, e o monitorava 24h.


É interessante observar a fotografia do filme que é monocromática; tende para tons gelados, o que é super intencional, pois serve para legitimar a idéia da trama, apenas na casa do Dreyman a mudança de luz ocorre, possui cores mais vivas. São certos detalhes que fazem toda a diferença na composição dessa obra de arte.


Wiesler monitorando o apartamento descobre que Christa tem um caso com Ministro Bruno Hemp (Thomas Thieme), Wiesler faz com que o Dreyman também descubra a traição de Christa, mas Dreyman a perdoa e tenta convencê-la de que ela é uma mulher talentosa, forte, e que não precisa ter um caso com o Ministro para ser reconhecida. Wiesler ao ouvir tudo começa a ter uma visão diferente da qual ele tinha sobre Dreyman.


Dreyman ainda “dançava conforme a música” da RDA , não concordava com aquele sistema, mas não fazia nada para mudá-lo, apenas o aceitava. Temia acabar como seu amigo Albert Jerska (Volkmar Kleinert) que também era um artista, contra o sistema da RDA, e deixava bem claro, mas tudo tem um preço e o preço que Jerska pagou foi alto. O afastaram do teatro, apagaram seu nome do rol de grandes artistas, completamente abandonado e esquecido, Jerska comete suicídio. Dreyman o viu pela última vez em sua festa de aniversário, Jerska havia lhe dado uma partitura intitulada de “Sonata Para Um Homem Bom”. Dreyman abalado com a morte do seu amigo resolveu fazer um artigo sobre o suicídio, afirmando que era um problema social e que a Alemanha Oriental fazia pouco caso das taxas de suicídios (Auto Assassinatos segundo a lei da RDA). Dreyman envolvido com o artigo e pensando em seu amigo, resolveu tocar a música contida na partitura, e esse é um dos momentos cruciais do filme, pois Wiesler se emociona ao ouvir, e Dreyman comenta com sua namorada “que só os homens bons podem realmente compreender músicas como essa a ponto de se emocionarem”. E a partir desse momento, Wiesler sorrateiramente, começa a ajudar Dreyman, ao invés de colocar a verdade em seus relatórios, Wiesler relatava que Dreyman e seus amigos apenas faziam uma peça em comemoração ao aniversário da RDA. 



O livro favorito do Dreyman era o de poemas de Berthold Brecht, Wiesler roubou o livro e foi para sua casa ler, deitado em seu sofá, pela primeira vez no filme vimos uma atitude muito incomum de Wiesler, o oposto do retrato insensível de antes, a luz iluminava seus olhos, a sua expressão era de prazer, conseguimos enxergar vida na face de Wiesler ao ler o livro, era como se fosse a sua redenção. E observar a vida de Dreyman foi a sua salvação, ele via a vida de Dreyman e seus amigos e comparava com a dele e de seus colegas de trabalho na Stasi, e ele viu o quanto eles (agentes da Stasi) estavam se enganando e como estavam errados... como agentes corruptos poderiam julgar-se certos?! E por que os artistas que mostravam a verdade com sua arte eram os errados?!


O Artigo de Dreyman foi lançado anonimamente na Alemanha Ocidental, e os agentes da Stasi logo começaram a desconfiar da fidelidade de Wiesler. Christa-Maria foi capturada e sofreu ameaças de perder sua carreira e não ser mais famosa, sobre pressão acabou entregando Dreyman e foi liberada, Christa volta para o apartamento bastante atordoada, sabendo que logo os agentes da Stasi estarão batendo em sua porta. Quando os agentes da Stasi chegam, Christa foge e é atropelada por um ônibus e acaba morrendo, e os agentes não encontraram nenhuma prova no apartamento de Dreyman, o mesmo pensou que Christa havia limpado seu apartamento e o ajudado. Na verdade, os agentes da Stasi sabiam que quem havia ajudado Dreyman, era o Wiesler e por isso acabou sendo rebaixado à função de “carteiro”.


Dreyman se sentiu culpado pela morte de Christa e desde então não conseguia mais escrever. Passado anos, após a queda do muro de Berlim, a peça de Dreyman onde Christa era a atriz principal voltava em cartaz com uma proposta mais futurística, Dreyman não conteve suas lembranças e decidiu sair do teatro, onde se encontrou com o Ministro Hemp e o fez uma pergunta “De todos, por que apenas o meu apartamento não tinha escutas?”, o Ministro respondeu que o apartamento dele esteve grampeado por meses. Dreyman assustado e sem acreditar voltou ao seu apartamento e foi tirar a prova, e acabou descobrindo as escutas.


Decidiu ir até o Museu de Memórias e pediu para ler o seu arquivo da época em que foi vigiado, completamente espantado ao ver a pilha de seus arquivos, começou a ler os relatórios feitos e mais espantado ficou, Dreyman enfim parou de se culpar pela morte de Christa, na verdade ela que o havia delatado, enquanto o agente de codinome “HGW XX/7” o havia encoberto, Dreyman pede para ver quem era o responsável por esse codinome e descobre que era o Wiesler. Dreyman vai ao encontro de Wiesler mas não consegue lhe pedir desculpas. Anos após, Wiesler passa em frente um livraria e se depara com o livro de Dreyman de nome “Die Sonate Vom Guten Menschen” (Sonata para um homem bom) ao abrir o livro, Wiesler se assusta ao ler a dedicatória: “Para HGW XX/7“, e é essa a cena final do filme, de uma delicadeza e sutiliza irreal. A trama inteira mostra como o homem é dinâmico, maleável, mostra que pode haver mudanças tanto para o bem quanto para o mal. Wiesler participou da vida do Dreyman, e pela primeira vez não se sentiu sozinho, na verdade se sentiu vivo. Mesmo ele tendo sido rebaixado não se arrependeu de tê-lo ajudado, por que na verdade ele acreditava que era o certo a fazer, deixou de ser um robô do sistema e passou a acreditar mais em si e nas suas crenças e ideologias, inspirado pela bondade que viu em Dreyman, Wiesler passou a viver.



Curiosidade: Ulrich Mühe ganhou o prêmio de melhor atuação pelo filme e infelizmente meses depois faleceu (Grimma, 20 de junho de 1953 — Walbeck, 22 de julho de 2007. O filme “A Vida dos Outros” também foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira. O custo de produção de foi de apenas dois milhões de dólares, mas seu lucro mundial foi de mais de 77 milhões. Em 2009, a revista estadunidense National Review nomeou “A Vida dos Outros” o melhor filme dos últimos 25 anos.



12 janeiro, 2013






(Belo Monte, Anúncio de Uma Guerra -Full)



 "O futuro de tudo que realizamos desde a evolução de nossa inteligência dependerá da sabedoria de nossas ações ao longo dos próximos anos. Tal como todas as criaturas, os seres humanos conquistaram seu lugar no mundo até aqui por meio de tentativas e erros; diferentemente das outras criaturas, a nossa presença hoje é tão colossal que o erro tornou-se um luxo que não podemos mais sustentar. O mundo tornou-se pequeno demais para nos perdoar de qualquer grande erro"[p.15]


"Mas se o progresso forte o suficiente para destruir o mundo de fato é moderno, o mal da escala, que transforma benefícios em armadilhas, nos aflige desde a Idade da Pedra. Esse mal vive em nós e aflora toda vez que levamos vantagem sobre a natureza, desestabilizando o equilíbrio entre a astúcia e a imprudência, entre a necessidade e a cobiça." [p.20]


"A razão mais iminente para a mudança do nosso sistema é que o sistema não é de interesse de ninguém. Ele é uma máquina suicida. Todos temos uma certa inércia de dinossauros dentro de nós, mas, sinceramente, eu não sei o que os "dinossauros" ativistas - os duros homens e mulheres das corporações de petróleo e da ultradireita - pensam estar fazendo. Eles têm filhos netos que precisarão de comida saudável, ar e água limpos e que podem querer ver florestas e oceanos vivos. A riqueza não pode comprar um refúgio [...] E a riqueza não é uma proteção contra o caos..." [pp.155, 156]

▬ Uma Breve História do Progresso, Ronald Wright

Nota: Esses são uns dos trechos que mais me chamam atenção no livro do Ronald Wright, acho um assunto pertinente, importante nos dias de hoje, o autor nos mostra como o crescimento desenfreado do século XX em termos de população humana, e o excedente consumo de tecnologia tem colocado um peso autodestrutivo sobre o mundo. Através de fatos históricos, o autor nos mostra exemplos da evolução da sociedade e de como a mesma tende ao "fim" por seus luxos e necessidades. Segundo Wright o progresso em demasia nos leva ao caos, nos leva a nossa própria destruição, por mais que talvez não estejamos diretamente ligados ao que está por vir, de uma forma ou de outra seremos atingidos.Todos, independente de classe social, status, independente de tudo, todos nós estamos caminhando para um precipício. (Pagaremos ou vamos fazer alguém pagar um preço alto pelo o que estamos fazendo hoje, ou pelo o que não estamos fazendo). Deixo em aberto e fecho com a última frase do livro "Agora é a nossa última chance de acertar o futuro"


02 janeiro, 2013

Retrato de Uma Psicodelia. [1] A linha tênue entre sanidade e insanidade


A linha tênue entre sanidade e insanidade

" Qual é o verdadeiro propósito desse mundo? Me diz um real motivo para existirmos?  "
- Existimos e somos relativos no perfeito do absoluto, somos reais! Mas reais até que ponto? E até que ponto o ser humano está a fim de chegar para descobrir a paralela linha entre vida e morte, entre "são" e "insano". Aqui, fracassos e grandes acertos são confundidos com sorte e azar.

Nada é o que realmente parece ser. As pessoas vão enlouquecendo pausadamente e totalmente sem prazer, são presas e possuídas pelos seus próprios medos e seus pequenos crimes, digeridos a força.

A cidade virtuosa ecoa o som do desespero, enquanto você está correndo e perseguindo o trafego para se igualar e se adentrar em um ritmo acelerado desse nosso "mundo cão"..
Por fim de rotineiros dias; Sempre acaba se esquecendo da ceia e está muito atrasado para um orgasmo.

O relógio sem parar por 1 segundo, te mostra os passados minutos, já perdidos, avançando para o futuro mais próximo. E foi a partir dessa distorção de vida, que nós nos criamos, a nova era de 70 em pleno séc.XXI.  Somos os novos súcubos da mitologia; Inflamamos de desejos, somos sedentos e sentimos fome insaciável. Nós nos tornamos a Linha Sobrevivente, entre o real e o imaginário de Parnasos.

Somos a rachadura de uma pilar de um prédio; comprometemos toda a estrutura, algum dia devido a rachadura o prédio irá cair, nos consideram como um vírus em todo esse sistema.
Provamos de uma excitação perigosa! Pura sensação de liberdade, uma mente completamente aberta, sons apurados, instintos a flor da pele, o uso de funções do seu corpo que talvez nunca tivesse descoberto antes. Ao mesmo tempo tanta coisa ao seu redor, e a singela e repetida fala de que: "Não quero nunca mais nada desse mundo, a não ser... ’’

Que magnífica válvula escape, conseguir se entender, se ouvir, ter percepções que o mundo não ousa a te dar. Há uma tentação de existir, de ser..  A única maneira de se manter "são", é tendo um pouco de insanidade. Estar na ordem e no caos ao mesmo tempo, sendo um Ser completamente Atman.

Bem e mal, caos e ordem, sanidade e insanidade, vida e morte; interligados pelas mesmas linhas que os dividiram desde a existência de um cosmos. Ter a sensação de poder se afastar dessa confusão, dessa dosagem de coma na alma, se sentir vivo outra vez, ser pulsante, sentir o sangue quente correndo nas veias, ouvir e conseguir contar/admirar cada batida acelerada do seu coração, estar vivo outra vez, achar a mesma força vital que se perdeu no escuro, chegando ao seu mais elevado espírito Ser Eu Próprio, reconhecendo seu Verdadeiro Eu, chegando ao ápice de Existir, se tornando o Ser Real.

É como estar à beira de um precipício e conseguir dar o próximo passo, sabendo que haverá um fim, e que no final de tudo, irá descansar sem medo. Pois já não importa o que aconteça, você já se soltou das correntes e grades. E percebeu e  que a vida vai muito mais além do que horários e suntuosos arranha-céus... E Assim se tornando livre, deixando o resto com o mistério da vida, se abdicando de imposições abstraídas e poluídas, se tornando Real no Absoluto, ser Atman. 

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Társis Farias

01 janeiro, 2013

O Retrato de Uma Psicodelia. [2] - Nada Além


Nada Além

Seja, tenha, veja, creia, aceite, se apresse. Cresça, se case, tenha filhos, seja um bom marido, não beba, não fume, não use drogas, não faça sexo, não coma enlatados, faça exercícios, tenha uma casa grande, possua a última tecnologia, não chore em público, não peça favores, não ame, não roube, não faça bagunça, confesse seus pecados, peça perdão por pensar, ganhe dinheiro, respeite o governo...

- Interrompemos essa programação para mais um informativo dos Donos do Poder.
Caro cidadão, lhe pedimos que fique atento as notícias do dia;
Sorria! Trabalhe, respeite seu patrão, sorria. 
Sorria! Vote no senhor da guerra, sorria.
Sorria! Padres tendem a ser pedófilos, sorria.
Sorria! Se continuar aterrado no estresse, você irá morrer, sorria.
Sorria! Policiais entram na corrupção por sua segurança, sorria.
Sorria! Devastamos completamente a floresta e não queremos parar, sorria.
Apenas sorriam e tenham uma Boa Noite! –

Obedientes, continuamos a ter câimbras nas bochechas. Posamos para todos com essas expressões pré-construídas, com um ar solene de hipocrisia e falsidade descarada.
 - Como ficar calados em meio tanta impunidade? Nós nos fazemos esquecer por descortesia, para vivermos em "pseudo-harmonia". -

Nascemos, crescemos, morremos. Enquanto quebro meu silêncio, driblo o tempo. Com pressa eles dizem que meu atraso irá custar. Até quando irá durar?  Caso isso seja o paraíso eu prefiro ficar no inferno.

O ápice da vida está em conseguir sobreviver após o fim. Lutar pelo que quer, se desprender do medo, conseguir arrumar abrigo em uma noite escura, experimentar cores e sabores, embelezar cada derrota, perdas e vitórias.

Vivemos em um infinitivo perdurável de lentas 24 horas, temos paranóias, duvidas, incertezas, cobiças temperadas, desejos impregnados em nossa mente, e não é nada além de um defeito de fábrica, de uma disfunção no seu disco rígido...

Mandem-me calar a boca, me velem por um sorriso consternado, me matem pelo sigilo, me batam por não ouvir música sacra, por não ter plantas de plástico em casa. 

- Será que incomoda ou a gente se acomoda?-  Incontáveis  termos para sermos iguais e nada disso nos satisfaz. 

Seja, tenha, veja, creia, aceite, se apresse.  - A verdade te desconecta. -

Silêncio
Silêncio
Silêncio..

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Társis Farias