09 abril, 2013

Chão




Ainda na cama, esperando o sol nascer me pegava pensando no segurar das nossas mãos, dos movimentos praticamente naturais dos nossos corpos, das nossas risadas, pensava em todos os momentos que nos definiram, todas as experiências, todos os lugares que passamos, todos os nossos anseios e receios... Pensava naquele estado de “embriaguez amorosa” quase infindável, pensava em como nada nos afetava, como nada me afetava; nem o escaldante calor do verão, nem mesmo o sopro gelado do inverno. E depois sem muitas intenções eu...

Não dói, não da forma que deveria doer. O que dói, na verdade, é não conseguir sentir, não sinto nada... Tentei arduamente me lembrar por dias de como era, tentei incansavelmente me fazer sentir, tentei não tornar algo sagrado em blasfêmia, mas tentei em vão. Na maioria das vezes finjo para mim mesma que sinto saudades, quando de fato não sinto. Sinto apenas...

- O despertador toca, são 6 horas da manhã, e uma pequena claridade invade o quarto, acordo. Ponho lentamente os pés no chão... os fixo bem, sem ter erros de quedas e tropeços. Agradavelmente sinto o chão.