26 maio, 2013

"Yeki bood, yeki nabood. Havia alguém, não havia ninguém. "




O tempo vai nos moldando, às vezes nos tornamos pessoas melhores, às vezes piores, às vezes continuamos os mesmos, e assim, se dá a vida. O engraçado é que nunca conseguimos nos desligar ou nos afastar da pessoa que éramos. Mesmo que escondido ou imperceptível, sempre haverá resquícios do que fomos e isso nos visita como bons velhos amigos ou nos assombra como velhos fantasmas.

O passado se foi. Basicamente, a maioria dos dias não tem impacto no decorrer da vida. Você acorda e estuda/trabalha, volta pra casa e continua com os mesmos e antigos hábitos, e assim vai levando. E quando se dá conta, você repetiu um dia da sua vida religiosamente por 30 anos. Vivendo um eterno presente.

O espelho na parede se torna um “dedo-duro’’, o pior delator. Ao olhar para ele, vê sua imagem refletida e sem cor, lhe falta cor, tudo se tornou cinza. Em questão de instantes ficamos invisíveis.

Acabamos nas mãos ventríloquas, somos fantoches da fragilidade e do medo. Resignados, habituamo-nos tanto a não fazer nada, somos a geração do “deixe estar’’, “miojo 3 minutos’’, a geração da “bunda molice”. Temos medo da mudança, preferimos viver aprisionados, e por final, como válvula de escape, assistimos à novela das 9h tentando nos encontrar em algum dos personagens, nos metamorfoseando, procurando em cada canal um herói para ser a nossa fonte de vida, o alimento propício para um corpo já vazio, sem alma, sem sentimentos.

Naturalmente nós nos adequamos ao que a sociedade pede. Assumimos tantos papeis ao longo desse teatro, que perdemos nossa própria identidade, deixando um pouco de nós em cada atuação, matando aos poucos nossas memórias, desejos, sonhos, ambições, criações, realizações, frustrações...

Esvaziamos o nosso corpo, viramos um recipiente vazio, pronto para ser preenchido com as drogas que o sistema nos dá no dia a dia, nos anestesiaram. Transformamos-nos em Seres-Desumanos e nocivos. Os valores, o amor, se tornaram algo imaginário.

E já na reta final, algo dentro de você chora. Um velho fantasma do passado vem te visitar.. Você percebe que viveu toda uma vida sem saber o que realmente era e o que queria, e no final amargo, reconhece a sua verdadeira natureza, consegue visualizar toda uma vida da qual realmente almejou quando jovem. Tarde demais? Talvez sim, ou talvez ainda lhe reste algum tempo.

Pelo fato de morrermos a qualquer momento, deveríamos fazer de tudo para viver. É preciso mudar, e a mudança deve começar de dentro, é preciso enxergar a vida com outros olhos, para visualizarmos um futuro, um amanhã no mínimo prazeroso. Devemos gozar de tudo que aparece na nossa vida; Dores, perdas, vitórias, acertos, erros... Não importa o que seja e quão intenso seja, é disso que é feito a vida, e devemos tirar o proveito necessário.

É possível mudar e encarar a realidade, bater de frente com certas regras impostas, é difícil, verdade, mas se nos esforçarmos, por mais que a jornada pareça inútil, com certeza, só com a sua atitude em “querer mudar” trará algum resultado.

E se puder, não perca a essência da vida. Até mesmo no exalar do último suspiro, deveríamos regozijar por uma vida bem vivida.

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Társis Farias