22 dezembro, 2014






02 dezembro, 2014

Trecho de uma Colecionadora



(...)

Além de bilocas, cartas, selos, folhas e coisas antigas, Dolores colecionava mágoas...
Dolores nunca soube dizer a ninguém como era aquilo, mas sabia bem qual era a sensação; fogo e queimadura eram o que mais se assemelhava.
Ela sentia um constante calor; mistura de euforia, raiva e dor. Sua pele queimava, mas ela já era acostumada com as chamas e feridas que não cicatrizavam.
Dolores exteriorizava suas dores, as colocava em potes numa estante em uma parede escura. Em sua coleção de mágoas havia parte de sua vida, cada pote; uma mágoa, uma parte de Dolores. Tinha a maior coleção de todas, havia ela se esvaziado e se diminuído em potes, chegando ao ápice supremo de suas dores, já não sentia nada. E como haveria de sentir, se tudo de bom ou ruim estava velado, lacrado e empoeirado em potes.
Pobre Dolores, nunca chegou a mostrar essa coleção a ninguém... Tinha orgulho de suas outras coleções, mas quem chegasse perto, sabia que algo de obscuro ela guardava...
Dizem que um dia existiu alguém nela, hoje não há ninguém. Dolores se resume a nada, não se sabe ao certo se ela drenou o que existia, ou se fora bruscamente drenada, tirando seu sangue e sua vida... Lhe sobra sua penosa coleção, para limpar e enfileirar. Furiosa e sensível, morta para os vivos, viva só de pulsão, fastiada e vazia. Dolores talvez ainda tivera o que não pôde colecionar, e...

(...)





24 novembro, 2014

Sina


As mãos grudadas no portão
O grito surdo
Os enigmas do colapso
As causas do ápice 
Da mágoa, da dor.
Inferno, terra e céu.
Imensa contradição
O luminoso pecado
Eu, a sensação de vaga alma.
Devagar levou alma e corpo
Sangra os olhos do santo
Sangra os olhos do santa
Sana pecados, sana dor.
A cura da loucura é a 
Espada fincada ao peito
Traz remédios, leva a cura.
Me dê loucura, pulsa loucura.
Peque, peque... 
Pecados ruminosos
Peque, peque
Pulsa carne, pulsa pele.
Ecos do caminho de espinhos
Vaga, vaga alma...
E eu... Como se fosse espírito 

...

21 novembro, 2014

Amor, espero paz!

Amor, eu espero que você cresça.
Eu espero que você encontre um caminho
Que o faça superar o passado de fato.

Eu espero que o tempo traduza a vida em canções para nós.
Amor, espero poder achar um jeito melhor de me refazer.
Espero que vejamos tudo, e que a velhice venha nos cair como garoa;
Suave, delicada e que nunca passe despercebido aos olhos futuros.

Espero que chegue um momento que ao olharmos para o céu, ele esteja
sorrindo para nós, e que a chuva venha nos lavar a alma,
E que Deus nos perdoe por tanto sonhar.
Amor, eu só espero paz!

Olhos Solares

Olhos solares

Com um olhar tristonho e cansado
Aquele olhar de quem vive rebobinando o passado
De noite, a lua refletia o brilho na sua pupila minguante
De dia, o sol irritava aqueles olhos radiantes

Como um relógio, seus olhos contavam o tempo
O olhar, é como entrar em um limbo
E em que paraíso distante que seus olhos me olham
Em que profundeza seus olhos te olham
Em que alma seus olhos encontram calma

Com os meus olhos aluados, o encaro, o penetro
Aqueles olhos solares, aquele olhar
Sem pintura, meu coração faz sinal de fuga
Ao me olhar, seu olhar...
Era tão bom que eu acreditei, naqueles olhos solares...



Escrita em 09/12/2013 *




18 novembro, 2014

Resposta a poesia de Sérgio Vaz - Amor com Fim



Não, o amor não acabou
Mas o teu amor me acabou.
Sim, fico feliz pelo gesto que nos trouxe até aqui
Pois até aqui, te amei.
A honra de estar ao teu lado, é a mesma honra que me fez sair do teu cerco
Por honra...
Os meus lábios não dizem mais,
O meu olhar guarda um silêncio confuso
E esse amor aflige meu coração 
Não sei se alivia minha dor, lembrar do tempo que nos criou
Lembrar das expressões do nosso amor.
Mas as lágrimas quentes que escorrem pelo meu rosto e peito frio
Não me faz maldizer o que passou, a herança do nosso amor
Cada lágrima, uma oferenda a ti, a nós, o que restou...
Não aceito o perdão, pois nunca vi o erro em você
Eu fiz todas as promessas de dedos cruzados
O que me sobra de eterno é a dor que causei a ti, o meu amor
A cruz dos dias que nunca deveriam ter amanhecido, carrego em meus ombros
Teu toque, teus beijos, teus abraços eram fincadas da espada terna de nós
Éramos só nós...
E se alguém deve ficar de joelhos, eu me prostro diante de ti, implorando perdão
Não há graça alguma te ver e não te ter.. Sim, eu sei...
Mas como ficar sem ver você, por favor, me diz como?
Eu não consigo imaginar a ideia de te perder
Mas por amor, eu te permito ir
Com dor, sangrando da cabeça aos pés, peço que vá
Não só as estrelas, mas todo o universo guardo e cultivo em mim
Teu amor foi mais que presente, foi meu folego para respirar em dias secos
Teu amor foi uma dádiva, uma bênção
E eu fui covarde, pois não tive coragem suficiente pra te amar até o fim
Não posso desamar, seria o maior de todos os pecados
Te amar não me fere, o que fere é você me amar
Há tempos faltam nós, parte de nós, parte do que fomos
Há tempos amar deixou de ser suficiente
O amor não acabou, mas este é o fim
E eu agradeço a você, o único que me deu o que ninguém conseguiria dar.
Obrigada eu, poeta!



Para ler o poema Amor com Fim, clique aqui  


Solo

É que sou feia, anacrônica, gasto demasiadamente com bebidas, entorpecentes e alucinógenos. Nunca me fastio, nada me é suficiente, a fadiga vive a me acometer. Vivo sem amores, tomo muito analgésico para minhas dores. Flagelo-me, aborto-me, adormeço... É que na verdade, eu sou feia, anacrônica e dou demasiada importância a nada que importa. Já que tudo me importa...

...


Nota: Inspirado na magnífica literatura de Gabriel Garcia Márquez - Memórias das Minhas Putas Tristes, logo menos postarei uma sinopse, crítica, análise do mesmo aqui...


FARDO MUNDO

...

Seu Edmundo, 
o sujismundo... Andando na curva do mundo, ele mudo, eu mudo.
Seu Edmundo, anda curvado como se carregasse o mundo.

O mundo... De seu Edmundo, o sujismundo.

...

Minha Droga



Como droga me causou dependência, rápido assim como cocaína... Dependência psicológica, embora meu físico também esteja comprometido. Você, como droga, potencializa meus efeitos, estimula meus nervos, me causa ansiedade e uma sensação de bem estar imediata. Para uma overdose de cocaína pura, dizem que 21 gramas é suficiente. Com você, até quando será suficiente? Até quando vou aguentar ? Com você, é rápido e intenso. Sem você, é confuso e depressivo... A sensação de bem estar acaba, me causa agitação, me causa alucinação, fico paranoica. Me causa palidez, inibe minha fome, me faz fumar duas carteiras de cigarro por dia, me bate a neurose. Destrói. Me destrói. Um vício não tão somente psicológico, mas também de corpo, alma e espírito. E como droga, quero todo dia, quero saciar o desejo desse vício, saborear minha dependência paradisíaca. Bate a neurose, destrói. Ainda quero, e sei que não estou pronta pra reabilitação.






QUE DESGASTE, SE RESGATE


Que corpo é esse?
Que ser, ser humano, dói
Que flagela, aborta, escarra, afaga
Tosse, cospe, pisa, pulsa
Ama, desama, gosta, mata
Grita, cala, cega, vê
Se acontece, se transforma
Muda, desmuda, floresce, murcha
Que corpo é esse?
Carne, sangue, osso, desgosto
Braço, perna, cabeça, alma, coração
Que corpo é esse?
Capaz e incapaz
Que corpo é esse, que sofre
Sofre, sofre sem porquê, mas por quem?
Que fraqueja e almeja
Que cansa, se cansa, desgasta, desgosta
Que corpo é esse?
Que se deixa matar e morrer
Que deixa tudo se esvair
Que corpo é esse?
Que não se repõe, não se regenera, não se salva, não se vive
Que corpo é esse?
Que corpo é esse?
Que ser, ser humano, dói
Que não se ama, que não alma
Que não salva a si, não salva
Que corpo é esse?
Que resiste a tudo, e não resiste nada
Que corpo é esse?
Que ser, ser humano, dói.



16 novembro, 2014

''Ela só quer viajar, ela só quer viajar daqui pra qualquer lugar''







Me fizeram uma pergunta há tempos atrás, ''qual era minha fuga ou válvula de escape'' sendo que as respostas não poderiam ser cigarro ou entorpecentes. A resposta me veio facilmente e vou expô-la aqui...

Eu sempre gostei bastante de escrever, sempre gostei de criar, imaginar e isso desde pequena. Quando aprendi a ler e escrever, praticava fazendo poemas, inclusive ainda os guardo e olha... Acho que tinha mais talento que hoje, rs, enfim... Já fiz teatro, curso preparatório intensivo de cinema, me engajei na área de produção cultural, já fiz alguns trabalhos mínimos, porém gloriosos pra mim no audiovisual/cinema e na cultura, tenho alguns projetos, roteiros e afins.
Esse post na verdade, é um apenas um relato de como a arte, a cultura e cinema vem sendo minha fuga.
O foco será cinema... O que é cinema? Olhar em quadros, ou olhar com ampliações de lentes infinitas? Cinema vem sendo minha válvula de escape, mesmo antes de fazer o curso, só o fato de ver cinema já me era fora da realidade. Hoje, o fazer cinema, escrever, participar é mais que um deleite, na verdade é quase droga, uma droga maravilhosa que essa com certeza faço apologia. 
Ser roteirista ou ser escritor é ser um deus, na verdade, fazer cinema é brincar de deus. Dar ação, dar vida, emoção aos personagens, é exteriorizar a cena imaginária da sua mente em um set, é algo realmente profundo. 
Sem duvida uma das melhores sensações que já experimentei. Quando escrevo um roteiro; literário e/ou decupado, eu realmente imagino todo o filme na minha cabeça, e entro num estado tão confortante, é um alívio imediato, é prazer prolongado. Eu posso fugir fazendo cinema, eu posso pegar as frustrações da vida e colocá-las em um personagem e depositar carinho e raiva no mesmo, e chegar a mata-lo ou ressuscita-lo, posso fazê-lo sofrer, como posso fazê-lo amar e ser amado, e ver cores em cada frame, eu posso viajar pra qualquer lugar, ir e voltar em piscar de olhos, posso ser quem eu quiser, posso ter a forma que eu quiser. Sem duvida, não existe cura melhor que essa. 
Naturalmente ao conhecer as histórias, você sabe exatamente como fugir delas. No cinema você não tem pudor, não tem barreiras, são constantes infinidades. O cinema é onde se pode contar mentiras sem peso na consciência e com prazer. A construção de perfis psicológicos, de valores morais, a construção de um sistema, de uma estrutura, a sua teoria... O tanto que é vislumbrante, sim, bancar deus, dar força ao big bang visual e emocional da sua cabeça, rsrs. Cinema é a volta e ida de mortos, de vivos, de dimensões. É um portal onde tudo se conecta, a cada fresta um novo mundo. 
Viver cinema, respirar cinema, fazer cinema... Nem que seja somente em sua cabeça, é a maior e melhor viagem.  Cinema para mim é muito mais que olhar em quadros, é mais que uma história amarrada em sequências, é muito mais abstrato. Cinema é sentir... 

E você, qual sua fuga ou válvula de escape? Conte-me por  email 


10 novembro, 2014

Relato de Ninguém

Oi... meu nome não interessa
Sou viciada.
Além dos vícios em coisas normais, como:
Cigarros, café, cocaína, maconha, álcool e sexo
Sou viciada em dor
Sou viciada no caos
A  ordem deixa minha mente atordoada
Porque eu sei, eu sei...
Sei que será por pouco tempo, 
E por mais que eu fuja, o caos virá.
Sim, não adianta eu me esconder
Não adianta eu fugir,
Não adianta eu falar que não quero mais essa vida pra mim
Não adianta eu mudar
Ele me encontra toda vez...
Oi, sou viciada em caos, e dessa vez, não vou lutar contra.
Que se foda a ordem, que se fodam vocês...

26 agosto, 2014

I carry your heart, I carry it in my heart


Era uma vez... Romeu e Julieta, Seth e Summer, Ross e Rachel, Penny e Leonard, Elise e Didier, Harry e Marion, Max e June, Anna e Nemo, Ryan e Marissa, Jessica e Hoyt, Sookie e Bill, Gil e Adriana, Marie e Ludo, Candy e Danny, Joel e Clementine, Lucy e Jude, Leia e Han Solo, Klauss e Si... - Não, Não... -
Era uma vez... Em uma época errada, onde parecia ser a época certa, numa era quase mitológica... Framboesa e Beija Único Amor.
Framboesa, assim como a fruta tinha uma cor muito bonita, tinha uma firmeza e uma postura incomparável, até ser feita de suco, - mas essa parte eu conto logo depois. – Framboesa, diferente de todos de sua família, diferente de todos os seus amigos, carregava um espírito selvagem, - e quando eu digo selvagem, pode apostar, é selvagem mesmo – tinha em sua alma um desejo de gozar a vida, seu astral sempre foi dos mais coloridos, sua poderosa imaginação sempre fora melhor aliada e inimiga. Framboesa tinha horror há qualquer menção à prisão, ela nunca soube lidar muito bem com nada que fazia lembrar jaulas, ou gaiolas, não conseguia aceitar ordens, não sabia lidar com nada muito normal, tradicional. Desde quando tomou consciência de vida e morte, nascer e crescer, Framboesa adotou seu próprio e quase único estilo de vida, ela não só o adotou, mas como fincou isso dentro de si, tão fundo, tão fundo, que seria bastante doloroso se por ventura esse estilo tivesse que ser alterado.
- Framboesa definitivamente não esperava o que estava prestes a acontecer em sua vida, mal sabia ela. -
Framboesa tinha um olhar muito aberto, ela sempre soube enxergar além das pessoas. Ela frequentava um parque privado, onde tinha todo tipo de gente, segundo ela mesma ‘’um bando de malucos’’, durante um ano ela esteve ao lado de um desses malucos, que depois viria a se tornar o seu misterioso amor. Sim, era Beija Único Amor. Framboesa nunca o havia reparado, constam os altos que até em uma festa juntos já foram, mas não, ele era invisível para ela. Até que um dia... Framboesa vê Beija Único Amor afastado, longe e sozinho... Ela o viu. Ela viu que ele estava em apuros, pois ele estava preso em uma gaiola. Beija Único Amor carregava consigo um espelho quebrado, ele tinha sete anos de azar pra pagar e estava pagando. Framboesa corre desesperada até ele, dá várias voltas ao redor da gaiola, grita, clama por ele, mas tudo é em vão. Ali estava ela, inquieta, agoniada, incomodada querendo liberta-lo, até que Beija Único Amor lhe mostra seu espelho... – O silêncio ecoa, um terrível choque -, Framboesa estava se vendo em uma gaiola também, ela via seu reflexo no espelho, presa em uma gaiola, ela entra em pânico. Beija Único Amor do outro lado tenta ajuda-la, aos poucos ela vai se acalmando, conversaram eles por anos a fio em segundos de tempo, eles se perderam em olhares, gestos e palavras, que sequer lembravam que estavam em gaiolas. Eles decidiram ficar juntos, sem sequer terem decidido isso. Com eles, tudo era verbo, entre eles... Só eram... 
Começa ai, uma história de doença e saúde, cura e remédio, vida e morte, dor e amor, amor e dor, amor, amor, amor...
Juntos eles eram chamados de a própria reencarnação do Destino, eram o ‘’mais que perfeito’’, as gaiolas os interligavam, os anos de azar de Beija Único Amor, somados com os anos de azar de Framboesa resultavam em 21 anos. Depois de certo tempo juntos, suas gaiolas não mais existiam, haviam desaparecido como se a chave fosse a soma do amor de Framboesa e Beija Único Amor. Quando ela percebeu que não havia mais gaiolas, e que agora o que a ligava a Beija Único Amor era somente o amor, ela novamente entra em pânico. ‘’ como pôde?’’ – questionava ela – ‘’ Como pôde acontecer isso comigo? Eu não me apaixonei, não me preparei, não esperava por isso. Eu quero correr, quero liberdade ao meu espírito selvagem, eu quero percorrer tantos lugares sozinha, ou até mesma acompanhada, mas não assim, não com essa intensidade.’’ 
-Para muitos um ultraje, Framboesa nega seu verbo, anula... Só que o que ela não sabia é que estava anulando sua própria vida –
Framboesa se sentia em uma gaiola, e quanto mais ela se olhava no espelho, quanto mais forçava sua vista, nada via. Nada, não tinha gaiola alguma... Dentro de si, o amor, aquele sentimento forte e arrebatador, completamente novo para ela, significava uma gaiola.
Framboesa, com toda sua firmeza, se desfaz em suco... Sua beleza, sua força, se esvai. Por dentro ela não passa de um suco enjoativo com gosto de chiclete.
Beija Único Amor, dizia que amava o gosto de chiclete, e que é bom fazer suco de frutas, de um modo lindo e cuidadoso, ele a amava, e tentou, tentou de todas as formas acalmar seu coração, tirar seu medo. Ele tentou incansavelmente não deixar Framboesa ir embora.
Framboesa não aceitava, por mais dolorido que fosse, algo ou alguém mudar seu próprio estilo de vida. 
Framboesa, fez um ofício questionando os feitos do Oráculo Tempo, ela nunca foi respondida. E ela teme, que no dia que for respondida, seja uma má resposta como: ‘’Seu tempo acabou’’.
Framboesa, era uma pessoa viciada em ‘’liberdade’’, e essa liberdade se tornou seu veneno, embora nunca tenha deixado de ser seu vício.
Longe de Beija Único Amor, ela viverá sua vida. E ele, mais do que nunca estava vivendo a sua.
O que muitos não sabem, é que quando Beija Único Amor está pensando nela, é porque exatamente naquele momento Framboesa está pensando nele, eles possuem uma conexão cósmica inquebrável, que desafia leis da física e ciência, e mesmo longe, essa conexão continua existindo, sempre existiu, sempre existirá. 
Beija Único Amor, estava tentando se livrar dela, tentando levar sua vida sem pensar em Framboesa, e em uma medida desesperada, ele apertou seu próprio coração. Framboesa,há milhas e milhas distantes começa a passar mal, é levada até o hospital, e repete com força, dor e lágrimas nos olhos ‘’É meu coração, ele está apertado, dói, dói muito’’... Em seu raio X tinha a marca de uma mão, como se alguém estivesse com suas próprias mãos apertando seu coração, o médico não soube dar um diagnóstico preciso, mas Framboesa já sabia a causa de seu mal estar. Antes de ter o coração apertado, ela estava decida a voltar para Beija Único Amor, seus lábios não diziam, muito menos seus gestos, mas em sua cabeça ela organizava um plano que talvez não tivesse a urgência que Beija Único Amor esperava... Depois de seu coração apertado, ela vê que não pode voltar, com o ocorrido, ela tem uma reação diferente. Ela joga seu egoísmo de lado pela primeira vez, e por ele, ela não pode voltar. Ela reconhece seus defeitos, ela vê seu problema. Beija Único Amor parecia estar gostando mais de suco de Amora, e Framboesa entendeu a duras penas que ele estava construindo sua vida, sem gaiolas, sem a preocupação do azar dos espelhos quebrados. A confusa e pobre Framboesa ainda tinha seus 14 anos de azar, por mais que ela conseguisse ficar sóbria por uma ou duas semanas, ela sempre retornava ao vício, ela sempre se desfazia em suco, ela sempre tinha seus medos e paranoias, e por mais que alma dela grite, por mais que coração dela continue apertando, Framboesa decidiu por hora, não perturbar mais Beija Único Amor. Ela vive só, embora cercada de gente, ela sorri o dia todo para poder chorar em paz a noite, Framboesa atrapalhada teceu teias das quais não vai sair tão facilmente, não se trata mais só dela e Beija Único Amor, existem os quartos... Framboesa ainda está em processo de limpeza e aceitação, ela garante se tornar forte de novo, para voltar. Pelo menos, quer se curar desse vício...
E assim, na época errada, que parecia ser a certa, numa era quase que mitológica, Framboesa e Beija Único Amor, carregam com eles o amor e o destino, são eles o material da própria flecha do cupido, almas gêmeas, a harmonia e a sincronia, cor, som e tom... O tempo, talvez venha por encomenda, e como encarregado de tê-los juntado na hora em que precisavam ser salvos, Framboesa e Beija Único Amor, sabem que ficarão juntos no princípio do verbo amor, que simplesmente, ‘’é’’. 

03 julho, 2014

Disse o Poeta


Eu vivo isso, eu vivo de tragédias para escrever. Eu vivo disso... Disse o poeta sorrindo...



02 julho, 2014

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Se fosse filme, ele estaria bebendo em um quarto vermelho de motel barato, antes de fazer sexo com seu novo amor, pois ela estaria tomando banho de ducha, enquanto isso seu telefone toca por volta de 3a.m. Ele não costumava atender ligações de nenhum tipo, principalmente com números desconhecidos, ele olha fixamente para o celular vibrando e por algum motivo resolve atender. Ele da um gole em sua bebida e diz: ''- Alô”! ''... 
Do outro lado da linha ele consegue ouvir um soluço choroso, aquele que ele conhecia bem... Era ela! Engasgando ela consegue responder um "oi" com risos e com algumas fungadas de tanto chorar. Ela estava na rodoviária, esperando o próximo ônibus com rumo a qualquer destino.
 Já desimpedida ela pede para que ele não desligue o telefone e começa a falar interruptamente: ’’ - É tão estranho eu ter que fingir que esqueci, mais estranho ainda viver como se nós não tivéssemos acontecido. É doloroso querer dizer "oi" e ser imediatamente impedida por uma condição que nós estipulamos. Nós, éramos só nós... Se eu te falar que não foi uma mentira, mas que sorrateiramente meu sentimento transformou-se em amor? Mas um amor que não supre como você precisa, com desejos da pele, do toque, do beijo... Não posso mais te dar meu corpo, assim como não quero mais o seu. Eu só queria ter de você todo dia um abraço e um "oi", a quem mais maltrataria, eu não sei... Egoísmo meu, tolice, medo... Sim, medo de te perder. Eu nunca entendi muito bem esses termos do início, meio e fim. Continuo achando essa barreira muito ridícula, não existe isso na minha poesia, na minha dança, no meu mundo. Vai me dizer que você não sabia disso? Você percorreu por todos meus caminhos, minhas trilhas, e vai me dizer que não sabia?... ‘’ 
Ele tenta interromper e diz com certo espanto: ‘’- você está nitidamente fragilizada". Ela rebate: ‘’- Sim, eu estou, pois não te quero mais como no início, com a fúria e com o calor do desejo, isso me fere, me sinto indigna. Mas ainda sim, eu te quero. Quero poder ser seu consolo e que você seja o meu. Quero poder te abraçar e falar que estou aqui, quero rir de todas a bobagens que já choramos... Meu Deus, eu só quero voltar a sorrir com você. Mas você me disse que preciso escolher... Escolher o que? Eu já te escolhi há muito tempo, você é meu e eu sou sua. Você é meu alívio, minha paz, meu amor, desculpa, mas você é meu amigo, meu anjo, meu salvador... Sabe daquela paixão que eu te falei? Ele começou a gostar de mim, sabe o que eu fiz? Fui embora... Talvez seja sina, meu bem. Não é você, não é ninguém. Talvez seja o que eu saiba fazer melhor, ir embora. Quando vou conseguir parar, quando vou ter estabilidade... Me pergunto em algumas noites vazias. Mas há uma força, um desejo quase involuntário de ir embora, ou de passar por cima de tudo, sem me importar muito a quem estou machucando dessa vez... Acho que não sou e nunca vou conseguir ser a mulher que você esperava. Espero que um dia você me perdoe, eu espero que um dia você venha me visitar com a intenção apenas de me abraçar e de sorrir muito. Eu preciso correr agora, de novo e de novo, não é que eu esteja fugindo, mas é que eu preciso ir embora. É que eu nunca disse antes, mas eu te amo!"
 Ela fica muda, e o silêncio dele já perdurava minutos. Quando ele enfim fala, apenas diz que precisa desligar o telefone e desliga sem muita cerimônia. Sentado em uma cama redonda, com o copo na mão, seu celular em outra, de cabeça baixa, fala baixinho: "- eu também te amo, meu amor". 
Sua nova "pequena" sai do banho, ele bebe toda sua dor naquele último gole, levanta sua cabeça, vê sua nova garota, deixa tudo para lá e vai terminar sua noite naquele quarto vermelho de um motel barato. Depois daquilo já não se sabe o que aconteceu, ninguém mais pagaria pra ver, era só mais um drama, outro filme de bilheteria baixa, que é passado no pior horário dos cinemas falidos. Na sala de cinema, provavelmente só haveria um casal, sentados separadamente, um em cada ponta. Esperando ali, talvez, que os personagens um dia pudessem cruzar pelos mesmos caminhos. Que enfim, com um final feliz, ela receba todo dia só um singelo abraço e um ‘’oi’’ do seu eterno amor. 

23 maio, 2014

MEU PRONOME PESSOAL

 Queria te ter no ritmo do amor
E te esquecer sem muita pretensão 
Queria que minha loucura fosse suficiente 
Queria pular bem alto de paixão 
Queria poder conjugar o verbo do desejo
Ser ou não ser, infinitíssima questão
Ter nada teu, por meu de direito
Além alma, canta o sim e o talvez
Ao léu, jogo-te um beijo 
No calor, mormaço, um abraço
Na prisão, um "ão", de tesão
De monossílabo te quero singular
Ser plural, meu pronome pessoal
Um caso reto do oblíquo amor
Eu e você, nós, talvez...
Num diálogo de surdo e mudo
Perpétuo até o agora, presente fim.


10 maio, 2014

Horóscopo Estelar

Virgens
Sou virgem
De corpo puro
De puro gozo
De estranha dor.

Sou do caos,
Meu Cosmos em ordem;
Devota de São Universo.

Amante do vento; nado no azul
De sabores e cores
Excitação de virgens.
De sina santa, de um signo profano
É..., sou virgem...

Conexão


Eu dentro, você por dentro.
Fricção, desejo, toque, harmonia.
Eu choro, você ri. Você por dentro.
Eu embaixo, você em cima.
Atrito, brasa em pele quente. 
Fricção, desejo, toque, harmonia. 
Nós. Felizes. Tristes. Nós
Eu fico, você vai.
Meu corpo, teu corpo.
Fricção, desejo, toque, harmonia. 
Nosso corpo em atrito, perfeita harmonia 
Em total fricção de desejo, de excitação.
Você dentro, eu dentro. Nós... 

Perfeita harmonia.

...


Hey, por favor



Quero um cigarro, talvez dois...
Se possível um café velho e um novo amor.
Pra fim de tarde, algumas cervejas e um violão
De noite, eu choro meus poemas
Na madrugada me toco, por tua troca
Por fim, quero doce; de três a quatro cubos de açúcar 
Um rádio de pilha velho, um cafuné, dez minutinhos de carinho
Talvez um café novo, ou um amor velho...
Ah, mas não se esqueça dos cigarros, por favor!

...

Final do Balancê

Terminemos em valsa
Assim não existirá passo falso
Em meio à dança da vida
Esquerda, direita...
Tua mão na minha silhueta 
Teus pés bailando com os meus 
Eu, flutuando por tua cabeça 
Teu balancê me conduzindo
Um gingado esquisito 
Terminemos em valsa
Nada da traição do tango
Nada da melancolia do blues
Nada de ficar nas pontas dos pés do balé
Sejamos solenes, firmes, elegantes...
Em meio essa dança, terminamos com valsa.


Minha mente, teu gosto

Livre arbítrio, presente.
Dádiva tirada, inventada.
Sem corpo, sem forma.
Minha alma molda o gosto, teu gosto.
Curo-me devagar
Ocupo-me do toque sereno
Na minha mente, seguindo em frente.
Todos os dias, seguindo em frente, na minha mente.
Seguindo em frente, todos os dias, na minha mente, teu gosto...

Subvertigem

I

Subvertigem, vertigem
Subverto-me, vejo-te
Impasse, eu passo
Enlouqueço, cresço
Peço um beijo, floresço

II

Laço, desenlaço
Floresço. Teu beijo
Eu passo desse impasse
Te vejo. Enlouqueço
Cresço. Reverto-me. Subverto-me. Me vejo. Floresço.

04 maio, 2014

Karma


Déjà vu
A novidade familiar ao te ver é perturbadora 
Em que vida nos encontramos? 
Ou será que estávamos fadados a nos encontrar nessa?

A sensação de que o teu olhar já me olhou uma vez em época remota
Parado em minha frente, não passa de um estranho
Mas se por acaso eu vier a fechar meus olhos, 
E se por acaso teus dedos escorregarem pela minha pele
Déjà senti

Saberei que é você, meu guerreiro
Aquele que em outra vida me tirou o sono
Que arrancou de mim cada suspiro
Aquele que conhecia minha urgência 

Vous m'avez visité?
E se de repente eu abrisse os olhos
Ainda seria meu guerreiro?

Aquele capaz de me deixar febril
Responsável por fazer corpo e alma estremecer 
E que em noites frias, os meus lábios só saibam pronunciar você 
E se por acaso de fato for você? Irias me dizer?

Pour vous, mon karma
Jamais-vu

...





22 abril, 2014

Maria Menina

Maria sempre foi indelicada, tímida, curiosa e desajeitada demais para uma menina. Ela era tão menina!

Cresceu ouvindo o melhor do que puderam lhe oferecer na época, ouviu muitos “contos”, aprendeu e os decorou... Sonhava, dançava, traçava histórias de sua vida, carregou seus sonhos até onde conseguiu carregá-los. Ela acreditava, ela acreditou até viver outra história. Ela era tão menina...

Cresceu complicada, e complicava-se mais e mais, na mesma proporção em a vida lhe batia. Andava pelas noites como um cão sem dono, o delírio já era constante, em meios tantas esquinas ela podia ouvir o medo sussurrando-lhe, mas se mostrava forte com suas garrafas e injeções. Quando não entrava em viagens distorcidas, Maria se transformava em uma menina apaixonada pelo céu e estrelas, tão doce, com os olhos queimando de paixão. Conseguia mesmo que por pouco tempo se limpar de toda aquela sujeira, levantar-se do poço de mágoas, no meio da água lodosa emergia a flor mais pura e esperançosa;  A Maria de todas as Marias.

Maria antes de se entristecer com a vida, se lamentava por não ter asas, sonhava em ser um passarinho, para poder voar livre pelo céu. Ela se emburrava por saber que nunca teria a sensação de voar. Todo final de tarde de um domingo, sentava perto da janela para ouvir blues,  Maria melancólica tentava forçar o seu próprio choro, queria se debulhar em lágrimas, dizia que aquele som era muito bonito para não chorar, pensava que só com lágrimas era possível demonstrar os mais verdadeiros e profundos sentimentos, porém nenhuma lágrima molhava seus olhos.

Maria não chorava e nunca chorou, nem mesmo com acontecimentos trágicos, mas sabia que por dentro a sua alma estava inundada de lágrimas.
Ela acabou conquistando o mundo para se sustentar, e vivia um pesadelo. Entre a solidão e o suicídio, vivia debilitada. Se considerava uma pessoa covarde por não conseguir dar fim a sua vida.

Maria ainda tinha resquícios de esperança, mesmo que não aceitasse, ela ainda acreditava na vida. Era tão menina...

Numa noite fria; Maria estava quieta, balbuciava, dizia que queria "desnascer", queria ir embora sem sequer se despedir, ela não conseguia achar razão para tanto sofrimento. Repentinamente Maria, começou a perder o fôlego, - ela está cansada, olha para o céu e sorri, - ela tinha todo o universo em seus olhos, pela primeira vez na vida, suas preces foram atendidas e pela primeira vez conseguiu chorar. Pálida, com os olhos abertos e marejados, com um leve sorriso torto na face... Ela conseguia ouvir uma música, até que ao fim; desfaleceu... Morreu entre um gozo e uma dor.

Maria... Ela era tão menina, tão ingênua, nunca amou, nunca recebeu uma carta, não estudou, não conheceu o mar, não pôde voar. Maria se foi e ela era tão menina.

Maria menina, a Maria de todas as Marias!

...

Por Társis Farias, um dos contos de minhas Marias...

P.s.: Este texto está devidamente registrado e patenteado. Qualquer cópia indesejada será denunciada. Dê crédito ao autor. Plágio é crime!

Att.
Társis Farias

14 abril, 2014

Amor Peculiar




De todas as maneiras que há de amar, a nossa foi a mais peculiar.
 Nem lá e nem cá, querendo e não podendo.
 Fazendo ser diferente, ou apenas tentando ser únicos, exclusivos, ousados.
 Te escondendo de todas as formas em mim,
Te querendo mais vivo a cada dia, a cada mês, a cada lua... Te querendo.
Brigando, xingando... Nunca amando, mas sempre amando...
Nos amando; amor recluso, escondido, disfarçado ou moderno.
Amor esse nunca proferido, nunca expelido pelo som de nossas vozes,
Mas estava lá, sempre esteve, sabíamos...
 E de todas as maneiras que há de amar, a nossa foi a mais peculiar.


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13 abril, 2014

Pontinha do Meteorito

Oi, me chamo Társis Batista Farias! Vim de uma família gigantesca, onde todo mundo mete o bedelho na vida de todo mundo, onde privacidade, definitivamente não existe, e se chegar a falar "individualidade" perto deles, chega a ser ofensa. Depois de sair de Brasília e vir morar em Goiânia, minha família se reduziu a três: pai, mãe e irmão. Sempre gostei muito de ter meu espaço, de administrar meu tempo, de ter meu próprio ritmo. Em Goiânia, pude exercer isso com a maior maestria. Já que família e amigos não estavam sempre por perto. 
Dediquei-me a solitude, alimentei manias de sair só, caminhar só, ir ao cinema sozinha, comer só, beber só, descobrir e experimentar a vida sozinha... Como se fosse eu... Só eu contra o mundo. Mas claro, a solitude cansa, como tudo em excesso. A questão é que ultimamente, venho permitindo me relacionar mais, e é bom, mas também cansa. O ponto nem é esse, me chamam de fria, “anti-sentimental”, anti-social e blá blá, mas as pessoas não entendem o quão difícil é me relacionar. 
Eu não sou de ligar ou mandar mensagens, porque acho que vai ser um incomodo, por ter meu próprio espaço e gostar que respeitem isso em mim, eu acabo respeitando isso demais em outrem, ou seja, não ligo ou mando mensagens por pensar que os outros não querem ser “incomodados” naquele momento ou em momento algum.
Às vezes me esqueço de cumprimentos usuais, ou perguntas usuais que levem a um diálogo, como: “Olá, como vai você?”, “como foi seu dia?”, “qual sua cor favorita?”, “quer sair comigo?”...  Por estar só, por opção, nunca precisei usar desses artifícios.
O mais engraçado, é que amo falar, sério, falo muito. Mas quando estou em uma conversa, me calo, subitamente me calo. E não me entendem... Sozinha, aprendi a prestar atenção no som que o mundo faz ou até mesmo no som que ele não faz... Aprendi a prestar a atenção na brisa que sempre me abraça, sim, eu e o vento temos uma boa relação, sempre que nos encontramos nos recebemos de braços abertos..  Em silêncio, aprendi a admirar todos os ruídos, em silêncio sempre observei a vida das outras pessoas; a forma de andar, como pentear seus cabelos, como usam suas mãos, como se relacionam com o exterior a elas, como se comportam com o mundo que sempre prestei atenção e elas por algum motivo passaram a ignorar.. Olhar as rugas de um velhinho, e pensar nas histórias que aquelas marcas carregam, entrar em um ônibus e ouvir conversas alheias, ir a um parque e observar casais, ver crianças e imaginar o futuro delas, ou apenas lembrar do meu passado. Admirar cicatrizes, aquelas que “desconfiguram” o corpo, aquelas que muitos as escondem, ou sentem vergonha, aquelas que para muitos são feias... Haha! Pra mim são lindas, são únicas, nos marcam com um causo, nos moldam, nos faz ser o que somos hoje, nos fortalece, nos ensinam.
 E eu sou assim, eu me calo pra ouvir, eu me calo pra observar, pra admirar. E me relaciono, só que me relaciono de forma não usual, não tão comum. De fria e afins, não tenho nada. Não é porque não ligo, ou não procuro me comunicar todo dia, que sou fria, ou que não tenho sentimentos e afins. Mas, é que fazer isso é muito alheio de mim. As pessoas costumam ter medo, mas eu não mordo. Só que sou aluada, e é nítido. Dou atenção a mistérios, belezas não proferidas, estranhezas, comunicação gestual, toques, manias, sempre com uma excitação de vida um pouco diferente.
Gosto de cantar pelas ruas, gosto de dançar quando ouço uma música. Porém, me acostumei a fazer isso e mais um tanto de coisa, sozinha. Tanto é que quando estou com alguém, eu travo. Na verdade, é preciso ter muita liberdade, confiança e intimidade pra conseguir me "soltar" por completo, porque “solta” eu sou... Enfim, a complexidade em mim grita, minha vida é paralela a tudo e todos, todos os sentimentos bons ou ruins cabem em mim, eu sou um universo, um constante big bang, explodindo vida e evoluindo, me refazendo há todo tempo, um caos almático infinito, uma confusão de magnitude poética galaxial, um corpo de brutalidade enérgica sem medidas, intensa, expansiva, escandalosa, chorosa, sentimental, às vezes “sem coração”, mas sempre com todo o meu coração. Sou bem normal, só possuo referências diferentes. Hey, pra quem anda me cobrando atenção, presença e tudo isso... Espero que tenha entendido um pouco, que atenção e presença sempre dei, só que ao meu modo. E caso quem quer que seja, ou até mesmo quem já é, queira entender um pouco mais, é simples; invada meu mundo, vire meu mundo, brilhe tão forte como uma estrela, me receba tão bem como o vento, me deixe dourada como o sol, me tire o fôlego como um mergulho em rio fundo, me limpe como chuva e dance comigo em dias de tempestade.



 Nota: Oi, eu me chamo Sis Maria Moriarty, alter ego de minha alma... Única e plural, e para os íntimos, apenas pronunciem com firmeza e clareza o meu nome, com tanto deleite que eu o proclamo, meu nome esconde minha vida, meus mistérios... É minha força, energia, me define.. Oi, eu sou Társis Batista Farias, mais conhecida como Társis Farias, e minha cor preferida é azul! – Quem é você? Qual é sua cor preferida? Quer sair comigo?

"É só mistério, não tem segredo" - https://www.youtube.com/watch?v=LvSMH7nXecI





10 abril, 2014

É PRA RIR OU PRA CHORAR

É pra rir e pra chorar
É pra rir enquanto for complicado
É pra chorar enquanto for lindo
É pra rir ao se zangar
É pra chorar ao se afagar
É pra rir e pra chorar
É pra rir quando for dor
É pra chorar quando amor
É pra rir e pra chorar

...
 
 
 

22 março, 2014

ODE A TI

Ode a ti cigarro
Que lava meus pulmões com a penumbra da morte
Que alivia meu espírito num súbito e gostoso tragar
Por ti fumei meus devaneios,
Sem pretensão fingiu levar meu estresse, me corrompeu.
Sem pretensão estou presa a ti,
Por que tu me tomas a essência da vida,
Quando procuro a mesma essência ao te tragar
Um ode, sem pretensão ao ódio a ti, cigarro, cigarro, cigarro...

Que me faz ir e vir, até não mais... coff, coff, coff 


Nota: Com uma sútil inspiração da personagem "Marie" em "Les Amours Imaginaries". Click Aqui