22 abril, 2014

Maria Menina

Maria sempre foi indelicada, tímida, curiosa e desajeitada demais para uma menina. Ela era tão menina!

Cresceu ouvindo o melhor do que puderam lhe oferecer na época, ouviu muitos “contos”, aprendeu e os decorou... Sonhava, dançava, traçava histórias de sua vida, carregou seus sonhos até onde conseguiu carregá-los. Ela acreditava, ela acreditou até viver outra história. Ela era tão menina...

Cresceu complicada, e complicava-se mais e mais, na mesma proporção em a vida lhe batia. Andava pelas noites como um cão sem dono, o delírio já era constante, em meios tantas esquinas ela podia ouvir o medo sussurrando-lhe, mas se mostrava forte com suas garrafas e injeções. Quando não entrava em viagens distorcidas, Maria se transformava em uma menina apaixonada pelo céu e estrelas, tão doce, com os olhos queimando de paixão. Conseguia mesmo que por pouco tempo se limpar de toda aquela sujeira, levantar-se do poço de mágoas, no meio da água lodosa emergia a flor mais pura e esperançosa;  A Maria de todas as Marias.

Maria antes de se entristecer com a vida, se lamentava por não ter asas, sonhava em ser um passarinho, para poder voar livre pelo céu. Ela se emburrava por saber que nunca teria a sensação de voar. Todo final de tarde de um domingo, sentava perto da janela para ouvir blues,  Maria melancólica tentava forçar o seu próprio choro, queria se debulhar em lágrimas, dizia que aquele som era muito bonito para não chorar, pensava que só com lágrimas era possível demonstrar os mais verdadeiros e profundos sentimentos, porém nenhuma lágrima molhava seus olhos.

Maria não chorava e nunca chorou, nem mesmo com acontecimentos trágicos, mas sabia que por dentro a sua alma estava inundada de lágrimas.
Ela acabou conquistando o mundo para se sustentar, e vivia um pesadelo. Entre a solidão e o suicídio, vivia debilitada. Se considerava uma pessoa covarde por não conseguir dar fim a sua vida.

Maria ainda tinha resquícios de esperança, mesmo que não aceitasse, ela ainda acreditava na vida. Era tão menina...

Numa noite fria; Maria estava quieta, balbuciava, dizia que queria "desnascer", queria ir embora sem sequer se despedir, ela não conseguia achar razão para tanto sofrimento. Repentinamente Maria, começou a perder o fôlego, - ela está cansada, olha para o céu e sorri, - ela tinha todo o universo em seus olhos, pela primeira vez na vida, suas preces foram atendidas e pela primeira vez conseguiu chorar. Pálida, com os olhos abertos e marejados, com um leve sorriso torto na face... Ela conseguia ouvir uma música, até que ao fim; desfaleceu... Morreu entre um gozo e uma dor.

Maria... Ela era tão menina, tão ingênua, nunca amou, nunca recebeu uma carta, não estudou, não conheceu o mar, não pôde voar. Maria se foi e ela era tão menina.

Maria menina, a Maria de todas as Marias!

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Por Társis Farias, um dos contos de minhas Marias...

P.s.: Este texto está devidamente registrado e patenteado. Qualquer cópia indesejada será denunciada. Dê crédito ao autor. Plágio é crime!

Att.
Társis Farias

14 abril, 2014

Amor Peculiar




De todas as maneiras que há de amar, a nossa foi a mais peculiar.
 Nem lá e nem cá, querendo e não podendo.
 Fazendo ser diferente, ou apenas tentando ser únicos, exclusivos, ousados.
 Te escondendo de todas as formas em mim,
Te querendo mais vivo a cada dia, a cada mês, a cada lua... Te querendo.
Brigando, xingando... Nunca amando, mas sempre amando...
Nos amando; amor recluso, escondido, disfarçado ou moderno.
Amor esse nunca proferido, nunca expelido pelo som de nossas vozes,
Mas estava lá, sempre esteve, sabíamos...
 E de todas as maneiras que há de amar, a nossa foi a mais peculiar.


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13 abril, 2014

Pontinha do Meteorito

Oi, me chamo Társis Batista Farias! Vim de uma família gigantesca, onde todo mundo mete o bedelho na vida de todo mundo, onde privacidade, definitivamente não existe, e se chegar a falar "individualidade" perto deles, chega a ser ofensa. Depois de sair de Brasília e vir morar em Goiânia, minha família se reduziu a três: pai, mãe e irmão. Sempre gostei muito de ter meu espaço, de administrar meu tempo, de ter meu próprio ritmo. Em Goiânia, pude exercer isso com a maior maestria. Já que família e amigos não estavam sempre por perto. 
Dediquei-me a solitude, alimentei manias de sair só, caminhar só, ir ao cinema sozinha, comer só, beber só, descobrir e experimentar a vida sozinha... Como se fosse eu... Só eu contra o mundo. Mas claro, a solitude cansa, como tudo em excesso. A questão é que ultimamente, venho permitindo me relacionar mais, e é bom, mas também cansa. O ponto nem é esse, me chamam de fria, “anti-sentimental”, anti-social e blá blá, mas as pessoas não entendem o quão difícil é me relacionar. 
Eu não sou de ligar ou mandar mensagens, porque acho que vai ser um incomodo, por ter meu próprio espaço e gostar que respeitem isso em mim, eu acabo respeitando isso demais em outrem, ou seja, não ligo ou mando mensagens por pensar que os outros não querem ser “incomodados” naquele momento ou em momento algum.
Às vezes me esqueço de cumprimentos usuais, ou perguntas usuais que levem a um diálogo, como: “Olá, como vai você?”, “como foi seu dia?”, “qual sua cor favorita?”, “quer sair comigo?”...  Por estar só, por opção, nunca precisei usar desses artifícios.
O mais engraçado, é que amo falar, sério, falo muito. Mas quando estou em uma conversa, me calo, subitamente me calo. E não me entendem... Sozinha, aprendi a prestar atenção no som que o mundo faz ou até mesmo no som que ele não faz... Aprendi a prestar a atenção na brisa que sempre me abraça, sim, eu e o vento temos uma boa relação, sempre que nos encontramos nos recebemos de braços abertos..  Em silêncio, aprendi a admirar todos os ruídos, em silêncio sempre observei a vida das outras pessoas; a forma de andar, como pentear seus cabelos, como usam suas mãos, como se relacionam com o exterior a elas, como se comportam com o mundo que sempre prestei atenção e elas por algum motivo passaram a ignorar.. Olhar as rugas de um velhinho, e pensar nas histórias que aquelas marcas carregam, entrar em um ônibus e ouvir conversas alheias, ir a um parque e observar casais, ver crianças e imaginar o futuro delas, ou apenas lembrar do meu passado. Admirar cicatrizes, aquelas que “desconfiguram” o corpo, aquelas que muitos as escondem, ou sentem vergonha, aquelas que para muitos são feias... Haha! Pra mim são lindas, são únicas, nos marcam com um causo, nos moldam, nos faz ser o que somos hoje, nos fortalece, nos ensinam.
 E eu sou assim, eu me calo pra ouvir, eu me calo pra observar, pra admirar. E me relaciono, só que me relaciono de forma não usual, não tão comum. De fria e afins, não tenho nada. Não é porque não ligo, ou não procuro me comunicar todo dia, que sou fria, ou que não tenho sentimentos e afins. Mas, é que fazer isso é muito alheio de mim. As pessoas costumam ter medo, mas eu não mordo. Só que sou aluada, e é nítido. Dou atenção a mistérios, belezas não proferidas, estranhezas, comunicação gestual, toques, manias, sempre com uma excitação de vida um pouco diferente.
Gosto de cantar pelas ruas, gosto de dançar quando ouço uma música. Porém, me acostumei a fazer isso e mais um tanto de coisa, sozinha. Tanto é que quando estou com alguém, eu travo. Na verdade, é preciso ter muita liberdade, confiança e intimidade pra conseguir me "soltar" por completo, porque “solta” eu sou... Enfim, a complexidade em mim grita, minha vida é paralela a tudo e todos, todos os sentimentos bons ou ruins cabem em mim, eu sou um universo, um constante big bang, explodindo vida e evoluindo, me refazendo há todo tempo, um caos almático infinito, uma confusão de magnitude poética galaxial, um corpo de brutalidade enérgica sem medidas, intensa, expansiva, escandalosa, chorosa, sentimental, às vezes “sem coração”, mas sempre com todo o meu coração. Sou bem normal, só possuo referências diferentes. Hey, pra quem anda me cobrando atenção, presença e tudo isso... Espero que tenha entendido um pouco, que atenção e presença sempre dei, só que ao meu modo. E caso quem quer que seja, ou até mesmo quem já é, queira entender um pouco mais, é simples; invada meu mundo, vire meu mundo, brilhe tão forte como uma estrela, me receba tão bem como o vento, me deixe dourada como o sol, me tire o fôlego como um mergulho em rio fundo, me limpe como chuva e dance comigo em dias de tempestade.



 Nota: Oi, eu me chamo Sis Maria Moriarty, alter ego de minha alma... Única e plural, e para os íntimos, apenas pronunciem com firmeza e clareza o meu nome, com tanto deleite que eu o proclamo, meu nome esconde minha vida, meus mistérios... É minha força, energia, me define.. Oi, eu sou Társis Batista Farias, mais conhecida como Társis Farias, e minha cor preferida é azul! – Quem é você? Qual é sua cor preferida? Quer sair comigo?

"É só mistério, não tem segredo" - https://www.youtube.com/watch?v=LvSMH7nXecI





10 abril, 2014

É PRA RIR OU PRA CHORAR

É pra rir e pra chorar
É pra rir enquanto for complicado
É pra chorar enquanto for lindo
É pra rir ao se zangar
É pra chorar ao se afagar
É pra rir e pra chorar
É pra rir quando for dor
É pra chorar quando amor
É pra rir e pra chorar

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