23 maio, 2014

MEU PRONOME PESSOAL

 Queria te ter no ritmo do amor
E te esquecer sem muita pretensão 
Queria que minha loucura fosse suficiente 
Queria pular bem alto de paixão 
Queria poder conjugar o verbo do desejo
Ser ou não ser, infinitíssima questão
Ter nada teu, por meu de direito
Além alma, canta o sim e o talvez
Ao léu, jogo-te um beijo 
No calor, mormaço, um abraço
Na prisão, um "ão", de tesão
De monossílabo te quero singular
Ser plural, meu pronome pessoal
Um caso reto do oblíquo amor
Eu e você, nós, talvez...
Num diálogo de surdo e mudo
Perpétuo até o agora, presente fim.


10 maio, 2014

Horóscopo Estelar

Virgens
Sou virgem
De corpo puro
De puro gozo
De estranha dor.

Sou do caos,
Meu Cosmos em ordem;
Devota de São Universo.

Amante do vento; nado no azul
De sabores e cores
Excitação de virgens.
De sina santa, de um signo profano
É..., sou virgem...

Conexão


Eu dentro, você por dentro.
Fricção, desejo, toque, harmonia.
Eu choro, você ri. Você por dentro.
Eu embaixo, você em cima.
Atrito, brasa em pele quente. 
Fricção, desejo, toque, harmonia. 
Nós. Felizes. Tristes. Nós
Eu fico, você vai.
Meu corpo, teu corpo.
Fricção, desejo, toque, harmonia. 
Nosso corpo em atrito, perfeita harmonia 
Em total fricção de desejo, de excitação.
Você dentro, eu dentro. Nós... 

Perfeita harmonia.

...


Hey, por favor



Quero um cigarro, talvez dois...
Se possível um café velho e um novo amor.
Pra fim de tarde, algumas cervejas e um violão
De noite, eu choro meus poemas
Na madrugada me toco, por tua troca
Por fim, quero doce; de três a quatro cubos de açúcar 
Um rádio de pilha velho, um cafuné, dez minutinhos de carinho
Talvez um café novo, ou um amor velho...
Ah, mas não se esqueça dos cigarros, por favor!

...

Final do Balancê

Terminemos em valsa
Assim não existirá passo falso
Em meio à dança da vida
Esquerda, direita...
Tua mão na minha silhueta 
Teus pés bailando com os meus 
Eu, flutuando por tua cabeça 
Teu balancê me conduzindo
Um gingado esquisito 
Terminemos em valsa
Nada da traição do tango
Nada da melancolia do blues
Nada de ficar nas pontas dos pés do balé
Sejamos solenes, firmes, elegantes...
Em meio essa dança, terminamos com valsa.


Minha mente, teu gosto

Livre arbítrio, presente.
Dádiva tirada, inventada.
Sem corpo, sem forma.
Minha alma molda o gosto, teu gosto.
Curo-me devagar
Ocupo-me do toque sereno
Na minha mente, seguindo em frente.
Todos os dias, seguindo em frente, na minha mente.
Seguindo em frente, todos os dias, na minha mente, teu gosto...

Subvertigem

I

Subvertigem, vertigem
Subverto-me, vejo-te
Impasse, eu passo
Enlouqueço, cresço
Peço um beijo, floresço

II

Laço, desenlaço
Floresço. Teu beijo
Eu passo desse impasse
Te vejo. Enlouqueço
Cresço. Reverto-me. Subverto-me. Me vejo. Floresço.

04 maio, 2014

Karma


Déjà vu
A novidade familiar ao te ver é perturbadora 
Em que vida nos encontramos? 
Ou será que estávamos fadados a nos encontrar nessa?

A sensação de que o teu olhar já me olhou uma vez em época remota
Parado em minha frente, não passa de um estranho
Mas se por acaso eu vier a fechar meus olhos, 
E se por acaso teus dedos escorregarem pela minha pele
Déjà senti

Saberei que é você, meu guerreiro
Aquele que em outra vida me tirou o sono
Que arrancou de mim cada suspiro
Aquele que conhecia minha urgência 

Vous m'avez visité?
E se de repente eu abrisse os olhos
Ainda seria meu guerreiro?

Aquele capaz de me deixar febril
Responsável por fazer corpo e alma estremecer 
E que em noites frias, os meus lábios só saibam pronunciar você 
E se por acaso de fato for você? Irias me dizer?

Pour vous, mon karma
Jamais-vu

...