26 agosto, 2014

I carry your heart, I carry it in my heart


Era uma vez... Romeu e Julieta, Seth e Summer, Ross e Rachel, Penny e Leonard, Elise e Didier, Harry e Marion, Max e June, Anna e Nemo, Ryan e Marissa, Jessica e Hoyt, Sookie e Bill, Gil e Adriana, Marie e Ludo, Candy e Danny, Joel e Clementine, Lucy e Jude, Leia e Han Solo, Klauss e Si... - Não, Não... -
Era uma vez... Em uma época errada, onde parecia ser a época certa, numa era quase mitológica... Framboesa e Beija Único Amor.
Framboesa, assim como a fruta tinha uma cor muito bonita, tinha uma firmeza e uma postura incomparável, até ser feita de suco, - mas essa parte eu conto logo depois. – Framboesa, diferente de todos de sua família, diferente de todos os seus amigos, carregava um espírito selvagem, - e quando eu digo selvagem, pode apostar, é selvagem mesmo – tinha em sua alma um desejo de gozar a vida, seu astral sempre foi dos mais coloridos, sua poderosa imaginação sempre fora melhor aliada e inimiga. Framboesa tinha horror há qualquer menção à prisão, ela nunca soube lidar muito bem com nada que fazia lembrar jaulas, ou gaiolas, não conseguia aceitar ordens, não sabia lidar com nada muito normal, tradicional. Desde quando tomou consciência de vida e morte, nascer e crescer, Framboesa adotou seu próprio e quase único estilo de vida, ela não só o adotou, mas como fincou isso dentro de si, tão fundo, tão fundo, que seria bastante doloroso se por ventura esse estilo tivesse que ser alterado.
- Framboesa definitivamente não esperava o que estava prestes a acontecer em sua vida, mal sabia ela. -
Framboesa tinha um olhar muito aberto, ela sempre soube enxergar além das pessoas. Ela frequentava um parque privado, onde tinha todo tipo de gente, segundo ela mesma ‘’um bando de malucos’’, durante um ano ela esteve ao lado de um desses malucos, que depois viria a se tornar o seu misterioso amor. Sim, era Beija Único Amor. Framboesa nunca o havia reparado, constam os altos que até em uma festa juntos já foram, mas não, ele era invisível para ela. Até que um dia... Framboesa vê Beija Único Amor afastado, longe e sozinho... Ela o viu. Ela viu que ele estava em apuros, pois ele estava preso em uma gaiola. Beija Único Amor carregava consigo um espelho quebrado, ele tinha sete anos de azar pra pagar e estava pagando. Framboesa corre desesperada até ele, dá várias voltas ao redor da gaiola, grita, clama por ele, mas tudo é em vão. Ali estava ela, inquieta, agoniada, incomodada querendo liberta-lo, até que Beija Único Amor lhe mostra seu espelho... – O silêncio ecoa, um terrível choque -, Framboesa estava se vendo em uma gaiola também, ela via seu reflexo no espelho, presa em uma gaiola, ela entra em pânico. Beija Único Amor do outro lado tenta ajuda-la, aos poucos ela vai se acalmando, conversaram eles por anos a fio em segundos de tempo, eles se perderam em olhares, gestos e palavras, que sequer lembravam que estavam em gaiolas. Eles decidiram ficar juntos, sem sequer terem decidido isso. Com eles, tudo era verbo, entre eles... Só eram... 
Começa ai, uma história de doença e saúde, cura e remédio, vida e morte, dor e amor, amor e dor, amor, amor, amor...
Juntos eles eram chamados de a própria reencarnação do Destino, eram o ‘’mais que perfeito’’, as gaiolas os interligavam, os anos de azar de Beija Único Amor, somados com os anos de azar de Framboesa resultavam em 21 anos. Depois de certo tempo juntos, suas gaiolas não mais existiam, haviam desaparecido como se a chave fosse a soma do amor de Framboesa e Beija Único Amor. Quando ela percebeu que não havia mais gaiolas, e que agora o que a ligava a Beija Único Amor era somente o amor, ela novamente entra em pânico. ‘’ como pôde?’’ – questionava ela – ‘’ Como pôde acontecer isso comigo? Eu não me apaixonei, não me preparei, não esperava por isso. Eu quero correr, quero liberdade ao meu espírito selvagem, eu quero percorrer tantos lugares sozinha, ou até mesma acompanhada, mas não assim, não com essa intensidade.’’ 
-Para muitos um ultraje, Framboesa nega seu verbo, anula... Só que o que ela não sabia é que estava anulando sua própria vida –
Framboesa se sentia em uma gaiola, e quanto mais ela se olhava no espelho, quanto mais forçava sua vista, nada via. Nada, não tinha gaiola alguma... Dentro de si, o amor, aquele sentimento forte e arrebatador, completamente novo para ela, significava uma gaiola.
Framboesa, com toda sua firmeza, se desfaz em suco... Sua beleza, sua força, se esvai. Por dentro ela não passa de um suco enjoativo com gosto de chiclete.
Beija Único Amor, dizia que amava o gosto de chiclete, e que é bom fazer suco de frutas, de um modo lindo e cuidadoso, ele a amava, e tentou, tentou de todas as formas acalmar seu coração, tirar seu medo. Ele tentou incansavelmente não deixar Framboesa ir embora.
Framboesa não aceitava, por mais dolorido que fosse, algo ou alguém mudar seu próprio estilo de vida. 
Framboesa, fez um ofício questionando os feitos do Oráculo Tempo, ela nunca foi respondida. E ela teme, que no dia que for respondida, seja uma má resposta como: ‘’Seu tempo acabou’’.
Framboesa, era uma pessoa viciada em ‘’liberdade’’, e essa liberdade se tornou seu veneno, embora nunca tenha deixado de ser seu vício.
Longe de Beija Único Amor, ela viverá sua vida. E ele, mais do que nunca estava vivendo a sua.
O que muitos não sabem, é que quando Beija Único Amor está pensando nela, é porque exatamente naquele momento Framboesa está pensando nele, eles possuem uma conexão cósmica inquebrável, que desafia leis da física e ciência, e mesmo longe, essa conexão continua existindo, sempre existiu, sempre existirá. 
Beija Único Amor, estava tentando se livrar dela, tentando levar sua vida sem pensar em Framboesa, e em uma medida desesperada, ele apertou seu próprio coração. Framboesa,há milhas e milhas distantes começa a passar mal, é levada até o hospital, e repete com força, dor e lágrimas nos olhos ‘’É meu coração, ele está apertado, dói, dói muito’’... Em seu raio X tinha a marca de uma mão, como se alguém estivesse com suas próprias mãos apertando seu coração, o médico não soube dar um diagnóstico preciso, mas Framboesa já sabia a causa de seu mal estar. Antes de ter o coração apertado, ela estava decida a voltar para Beija Único Amor, seus lábios não diziam, muito menos seus gestos, mas em sua cabeça ela organizava um plano que talvez não tivesse a urgência que Beija Único Amor esperava... Depois de seu coração apertado, ela vê que não pode voltar, com o ocorrido, ela tem uma reação diferente. Ela joga seu egoísmo de lado pela primeira vez, e por ele, ela não pode voltar. Ela reconhece seus defeitos, ela vê seu problema. Beija Único Amor parecia estar gostando mais de suco de Amora, e Framboesa entendeu a duras penas que ele estava construindo sua vida, sem gaiolas, sem a preocupação do azar dos espelhos quebrados. A confusa e pobre Framboesa ainda tinha seus 14 anos de azar, por mais que ela conseguisse ficar sóbria por uma ou duas semanas, ela sempre retornava ao vício, ela sempre se desfazia em suco, ela sempre tinha seus medos e paranoias, e por mais que alma dela grite, por mais que coração dela continue apertando, Framboesa decidiu por hora, não perturbar mais Beija Único Amor. Ela vive só, embora cercada de gente, ela sorri o dia todo para poder chorar em paz a noite, Framboesa atrapalhada teceu teias das quais não vai sair tão facilmente, não se trata mais só dela e Beija Único Amor, existem os quartos... Framboesa ainda está em processo de limpeza e aceitação, ela garante se tornar forte de novo, para voltar. Pelo menos, quer se curar desse vício...
E assim, na época errada, que parecia ser a certa, numa era quase que mitológica, Framboesa e Beija Único Amor, carregam com eles o amor e o destino, são eles o material da própria flecha do cupido, almas gêmeas, a harmonia e a sincronia, cor, som e tom... O tempo, talvez venha por encomenda, e como encarregado de tê-los juntado na hora em que precisavam ser salvos, Framboesa e Beija Único Amor, sabem que ficarão juntos no princípio do verbo amor, que simplesmente, ‘’é’’.