24 novembro, 2014

Sina


As mãos grudadas no portão
O grito surdo
Os enigmas do colapso
As causas do ápice 
Da mágoa, da dor.
Inferno, terra e céu.
Imensa contradição
O luminoso pecado
Eu, a sensação de vaga alma.
Devagar levou alma e corpo
Sangra os olhos do santo
Sangra os olhos do santa
Sana pecados, sana dor.
A cura da loucura é a 
Espada fincada ao peito
Traz remédios, leva a cura.
Me dê loucura, pulsa loucura.
Peque, peque... 
Pecados ruminosos
Peque, peque
Pulsa carne, pulsa pele.
Ecos do caminho de espinhos
Vaga, vaga alma...
E eu... Como se fosse espírito 

...

21 novembro, 2014

Amor, espero paz!

Amor, eu espero que você cresça.
Eu espero que você encontre um caminho
Que o faça superar o passado de fato.

Eu espero que o tempo traduza a vida em canções para nós.
Amor, espero poder achar um jeito melhor de me refazer.
Espero que vejamos tudo, e que a velhice venha nos cair como garoa;
Suave, delicada e que nunca passe despercebido aos olhos futuros.

Espero que chegue um momento que ao olharmos para o céu, ele esteja
sorrindo para nós, e que a chuva venha nos lavar a alma,
E que Deus nos perdoe por tanto sonhar.
Amor, eu só espero paz!

Olhos Solares

Olhos solares

Com um olhar tristonho e cansado
Aquele olhar de quem vive rebobinando o passado
De noite, a lua refletia o brilho na sua pupila minguante
De dia, o sol irritava aqueles olhos radiantes

Como um relógio, seus olhos contavam o tempo
O olhar, é como entrar em um limbo
E em que paraíso distante que seus olhos me olham
Em que profundeza seus olhos te olham
Em que alma seus olhos encontram calma

Com os meus olhos aluados, o encaro, o penetro
Aqueles olhos solares, aquele olhar
Sem pintura, meu coração faz sinal de fuga
Ao me olhar, seu olhar...
Era tão bom que eu acreditei, naqueles olhos solares...



Escrita em 09/12/2013 *




18 novembro, 2014

Resposta a poesia de Sérgio Vaz - Amor com Fim



Não, o amor não acabou
Mas o teu amor me acabou.
Sim, fico feliz pelo gesto que nos trouxe até aqui
Pois até aqui, te amei.
A honra de estar ao teu lado, é a mesma honra que me fez sair do teu cerco
Por honra...
Os meus lábios não dizem mais,
O meu olhar guarda um silêncio confuso
E esse amor aflige meu coração 
Não sei se alivia minha dor, lembrar do tempo que nos criou
Lembrar das expressões do nosso amor.
Mas as lágrimas quentes que escorrem pelo meu rosto e peito frio
Não me faz maldizer o que passou, a herança do nosso amor
Cada lágrima, uma oferenda a ti, a nós, o que restou...
Não aceito o perdão, pois nunca vi o erro em você
Eu fiz todas as promessas de dedos cruzados
O que me sobra de eterno é a dor que causei a ti, o meu amor
A cruz dos dias que nunca deveriam ter amanhecido, carrego em meus ombros
Teu toque, teus beijos, teus abraços eram fincadas da espada terna de nós
Éramos só nós...
E se alguém deve ficar de joelhos, eu me prostro diante de ti, implorando perdão
Não há graça alguma te ver e não te ter.. Sim, eu sei...
Mas como ficar sem ver você, por favor, me diz como?
Eu não consigo imaginar a ideia de te perder
Mas por amor, eu te permito ir
Com dor, sangrando da cabeça aos pés, peço que vá
Não só as estrelas, mas todo o universo guardo e cultivo em mim
Teu amor foi mais que presente, foi meu folego para respirar em dias secos
Teu amor foi uma dádiva, uma bênção
E eu fui covarde, pois não tive coragem suficiente pra te amar até o fim
Não posso desamar, seria o maior de todos os pecados
Te amar não me fere, o que fere é você me amar
Há tempos faltam nós, parte de nós, parte do que fomos
Há tempos amar deixou de ser suficiente
O amor não acabou, mas este é o fim
E eu agradeço a você, o único que me deu o que ninguém conseguiria dar.
Obrigada eu, poeta!



Para ler o poema Amor com Fim, clique aqui  


Solo

É que sou feia, anacrônica, gasto demasiadamente com bebidas, entorpecentes e alucinógenos. Nunca me fastio, nada me é suficiente, a fadiga vive a me acometer. Vivo sem amores, tomo muito analgésico para minhas dores. Flagelo-me, aborto-me, adormeço... É que na verdade, eu sou feia, anacrônica e dou demasiada importância a nada que importa. Já que tudo me importa...

...


Nota: Inspirado na magnífica literatura de Gabriel Garcia Márquez - Memórias das Minhas Putas Tristes, logo menos postarei uma sinopse, crítica, análise do mesmo aqui...


FARDO MUNDO

...

Seu Edmundo, 
o sujismundo... Andando na curva do mundo, ele mudo, eu mudo.
Seu Edmundo, anda curvado como se carregasse o mundo.

O mundo... De seu Edmundo, o sujismundo.

...

Minha Droga



Como droga me causou dependência, rápido assim como cocaína... Dependência psicológica, embora meu físico também esteja comprometido. Você, como droga, potencializa meus efeitos, estimula meus nervos, me causa ansiedade e uma sensação de bem estar imediata. Para uma overdose de cocaína pura, dizem que 21 gramas é suficiente. Com você, até quando será suficiente? Até quando vou aguentar ? Com você, é rápido e intenso. Sem você, é confuso e depressivo... A sensação de bem estar acaba, me causa agitação, me causa alucinação, fico paranoica. Me causa palidez, inibe minha fome, me faz fumar duas carteiras de cigarro por dia, me bate a neurose. Destrói. Me destrói. Um vício não tão somente psicológico, mas também de corpo, alma e espírito. E como droga, quero todo dia, quero saciar o desejo desse vício, saborear minha dependência paradisíaca. Bate a neurose, destrói. Ainda quero, e sei que não estou pronta pra reabilitação.






QUE DESGASTE, SE RESGATE


Que corpo é esse?
Que ser, ser humano, dói
Que flagela, aborta, escarra, afaga
Tosse, cospe, pisa, pulsa
Ama, desama, gosta, mata
Grita, cala, cega, vê
Se acontece, se transforma
Muda, desmuda, floresce, murcha
Que corpo é esse?
Carne, sangue, osso, desgosto
Braço, perna, cabeça, alma, coração
Que corpo é esse?
Capaz e incapaz
Que corpo é esse, que sofre
Sofre, sofre sem porquê, mas por quem?
Que fraqueja e almeja
Que cansa, se cansa, desgasta, desgosta
Que corpo é esse?
Que se deixa matar e morrer
Que deixa tudo se esvair
Que corpo é esse?
Que não se repõe, não se regenera, não se salva, não se vive
Que corpo é esse?
Que corpo é esse?
Que ser, ser humano, dói
Que não se ama, que não alma
Que não salva a si, não salva
Que corpo é esse?
Que resiste a tudo, e não resiste nada
Que corpo é esse?
Que ser, ser humano, dói.



16 novembro, 2014

''Ela só quer viajar, ela só quer viajar daqui pra qualquer lugar''







Me fizeram uma pergunta há tempos atrás, ''qual era minha fuga ou válvula de escape'' sendo que as respostas não poderiam ser cigarro ou entorpecentes. A resposta me veio facilmente e vou expô-la aqui...

Eu sempre gostei bastante de escrever, sempre gostei de criar, imaginar e isso desde pequena. Quando aprendi a ler e escrever, praticava fazendo poemas, inclusive ainda os guardo e olha... Acho que tinha mais talento que hoje, rs, enfim... Já fiz teatro, curso preparatório intensivo de cinema, me engajei na área de produção cultural, já fiz alguns trabalhos mínimos, porém gloriosos pra mim no audiovisual/cinema e na cultura, tenho alguns projetos, roteiros e afins.
Esse post na verdade, é um apenas um relato de como a arte, a cultura e cinema vem sendo minha fuga.
O foco será cinema... O que é cinema? Olhar em quadros, ou olhar com ampliações de lentes infinitas? Cinema vem sendo minha válvula de escape, mesmo antes de fazer o curso, só o fato de ver cinema já me era fora da realidade. Hoje, o fazer cinema, escrever, participar é mais que um deleite, na verdade é quase droga, uma droga maravilhosa que essa com certeza faço apologia. 
Ser roteirista ou ser escritor é ser um deus, na verdade, fazer cinema é brincar de deus. Dar ação, dar vida, emoção aos personagens, é exteriorizar a cena imaginária da sua mente em um set, é algo realmente profundo. 
Sem duvida uma das melhores sensações que já experimentei. Quando escrevo um roteiro; literário e/ou decupado, eu realmente imagino todo o filme na minha cabeça, e entro num estado tão confortante, é um alívio imediato, é prazer prolongado. Eu posso fugir fazendo cinema, eu posso pegar as frustrações da vida e colocá-las em um personagem e depositar carinho e raiva no mesmo, e chegar a mata-lo ou ressuscita-lo, posso fazê-lo sofrer, como posso fazê-lo amar e ser amado, e ver cores em cada frame, eu posso viajar pra qualquer lugar, ir e voltar em piscar de olhos, posso ser quem eu quiser, posso ter a forma que eu quiser. Sem duvida, não existe cura melhor que essa. 
Naturalmente ao conhecer as histórias, você sabe exatamente como fugir delas. No cinema você não tem pudor, não tem barreiras, são constantes infinidades. O cinema é onde se pode contar mentiras sem peso na consciência e com prazer. A construção de perfis psicológicos, de valores morais, a construção de um sistema, de uma estrutura, a sua teoria... O tanto que é vislumbrante, sim, bancar deus, dar força ao big bang visual e emocional da sua cabeça, rsrs. Cinema é a volta e ida de mortos, de vivos, de dimensões. É um portal onde tudo se conecta, a cada fresta um novo mundo. 
Viver cinema, respirar cinema, fazer cinema... Nem que seja somente em sua cabeça, é a maior e melhor viagem.  Cinema para mim é muito mais que olhar em quadros, é mais que uma história amarrada em sequências, é muito mais abstrato. Cinema é sentir... 

E você, qual sua fuga ou válvula de escape? Conte-me por  email 


10 novembro, 2014

Relato de Ninguém

Oi... meu nome não interessa
Sou viciada.
Além dos vícios em coisas normais, como:
Cigarros, café, cocaína, maconha, álcool e sexo
Sou viciada em dor
Sou viciada no caos
A  ordem deixa minha mente atordoada
Porque eu sei, eu sei...
Sei que será por pouco tempo, 
E por mais que eu fuja, o caos virá.
Sim, não adianta eu me esconder
Não adianta eu fugir,
Não adianta eu falar que não quero mais essa vida pra mim
Não adianta eu mudar
Ele me encontra toda vez...
Oi, sou viciada em caos, e dessa vez, não vou lutar contra.
Que se foda a ordem, que se fodam vocês...