25 agosto, 2015

Saudade do Mar




Saudade...
Saudade daquela paisagem fria da montanha
Daquela que desaguava em mar...
Alma além mar, vem me lembrar de amar
Que saudade, que saudade
Daquela saudade traiçoeira
Que guarda o mundo em mim

...

11 agosto, 2015

"Repência"

NÃO SOU TEU ESPELHO!

Sim, liberdade é um sentimento que te trai
Liberdade é não ter medo, já ouvi dizer
Se cada um pudesse se expressar sem se adequar ao meio
Me tira o sossego pensar que vou há um lugar para encontrar paz
Com as pessoas que ao meu entender parecem ser as mais tranquilas
As mais livres de pensamento, que não vivem de acordo com a ordem social
Me tira o sossega saber que é tudo "bullshit"
Elas estão embutidas de julgamentos tanto quanto o resto da sociedade
E te julgam, sim! Te julgam dos pés a alma...
Por que ? Me diz? Qual o problema de não querer dançar a dois ?
"Mas você tem um molejo tão bom", "você não sabe dançar"
Mas eu te pergunto, o que é dança pra você ? É necessário fazer aulas, pé de valsa?
Pra mim é uma das formas mais bonitas e profundas de libertação e expressão, 
E você com lirismo e ideologia barata, quer me mudar ? ou melhor, vem me julgar ?
O conceito de dança PARA MIM é pessoal, mas não leve pro pessoal, agarradinho só na cama.
Qual o problema em ouvir uma música em silêncio e de olhos fechados ? 
E daí se for um batuque incontrolável e nem mesmo os animais conseguirem ficar calados e quietos ?
Eu fico se eu quiser, e gosto, e daí ? 
Quanto maior sua insistência, maior será o meu recuo.
"Mas você tem uma voz tão bonita"
- Que vá para puta que pariu a minha voz, MINHA VOZ!!!!!
O meu desejo supostamente não conta ?
Qual o problema ? 
Não é você que toma frente do movimento a favor daqueles que se expressam?
Sossego... 
Sossego é um ruído inaudível, que ficou na lembrança do que nunca existiu
Tudo que não consigo ter nessa cidade, neste modelo
Tudo que não encontrei em nenhum "louco beleza"
Quer dizer... Resta alguns, outros morreram aos 27 anos.
Qual o problema em não querer transar com você?
Qual o problema em não querer conversar com você?
E não me venha com essa justificativa de louco
Com esse teu discurso oco
Que pensa que viveu no Woodstock, pregando amor livre. 
Ou pior, sair rotulando o meu pé na sua bunda como "Cu doce",
A real, é doce mesmo, e não é pro teu bico. 
Amor livre sim, pois bem, LIVRE.
Não querer, faz parte dessa minha liberdade. 
Não querer teu machismo mascarado, teu feminismo radical, ou teu fundamentalismo genérico
"Nojentinha" 
- Nojenta é tua cabeça de asno, tua fala de bicho, teu ar de bosta. 
Nojenta é tua contradição de louco e ditador.
Nojenta é tua bipolaridade de direita e esquerda. Que louco és tu, oh caro?
Esse que prega o amor em prol de transa ? 
Prega amor em troca de favores ?
Esse que julga o comportamento alheio baseado no teu ?
Quando vamos passar a enxergar o outro sem querer que seja um reflexo de nós mesmos ?
Eu tô cansada, tô cansada de vocês que não se afirmam como caretas, 
Mas que na moralina, estão no mesmo seguimento dos caretas de plantão. 
Tô cansada de ir aqui ou ali e não poder me sentir livre, não encontrar sossego
Porque cada ato, ou falta do mesmo, cada gesto pra vocês parece uma afronta.
Pois digo aqui para vocês:
 - EU NÃO SOU A PORRA DO TEU ESPELHO, tenho brilho próprio!
Não faço parte do teu ideal, minhas lamentações...
Eu to aqui pra incomodar, pra morder e retruco mesmo, lidem com isso, ou façam como sempre...
Falem mal pelas costas, fiquem como velhas fofoqueiras cochichando no ouvido
"Aquela nem caga" - Ah, cago sim, e cago na tua cabeça e saio andando.
"Mas que rude, que falta de respeito" 
Exato, total falta de respeito em julgar meus comportamentos que não te afetam,
PORQUE DE FATO NÃO TE AFETAM.
É o meu jeito, é a minha vontade, meu desejo, MINHA VIDA.
Não venha invadindo MEU espaço, porque não invado o teu. 
E parem de caretice, parem com essa caretice sem fim.
Qualquer forma de expressão é poesia, é arte, é dança, é amor. 
Saiba respeitar o espaço do outro, o jeito do outro, pelo bem da sanidade! 
Saiba viver com a diferença, qualquer que seja ela, seus caretas.
E parem de contradizer a ideologia que dizem seguir, porra!
Se olha no teu espelho, pois o meu, eu tenho.


Dedicado aos coleg@s das humanas, beijo!




08 agosto, 2015

-



No ato em cena

Eu era  
                                            alí

Eu era a culpa                            o medo
Eu era aquele lugar                          ocupa

Eu só não assimilava que era eu               
                                        Eu, alí, era eu
Me deixa em paz                                 

     Só

Só vê se traz de volta minha paz






Do Eu


Em agosto...


                   - Desgosto!


07 abril, 2015



Não se vá, não se vá pequena Raposa
A vida não é tão ruim quanto pensa
Não vê que se olhar a fundo enxergará seu paraíso?

Ora, não se apresse jovem Raposa
O verde aqui ainda confunde nossa visão
Não vê que se prestar atenção buscará o que acha ?

Não se vá, pequena Raposa
És tão linda, tão cheia de vida
Não vê que a paz não está em outro lugar ?

Não se vá, só não me deixe aqui sozinho
Não se vá com a luz, não me deixe no escuro
Apressada Raposa, não se perca...

Não se vá, linda Raposa 
Não vá fazer de seus medos, sua prisão
Não vá construir sua casa do outro lado de montanha

Não se vá, linda Raposa
Não vá caçar sozinha longe da floresta
Não pense na paz separadamente 
Não faça do seu lar sua prisão...






31 março, 2015

Desembaraço



Esse desembaraço
Causou falta de compasso
Queda de fios

Não há pente fino
Não há afinador
Não há luneta futura

Perde-se ritmo 
Perde memória
Perde humanidade

Esse desembaraço
Ainda embaraça nó no peito
Na garganta, há faca
Perde sangue, entrelaça a quebra de vidas
Aparta, aparta, sangra
Esse nó no peito, veio para ficar...








25 janeiro, 2015

Depois das Reticências ...

 Depois das reticências...

Como uma súcubo eu sugo toda sua energia, força e alma. Sempre foi assim, eu sempre sugo a vida das pessoas. Por um descompensação sua e minha, eu te faço mal. E você é consciente disso, mais que eu. Eu te faço ter pensamentos ruins, eu te faço questionar a vida e Deus, te perturbo o sono da noite, e os cochilos entre as trocas de horários. Acordado ou dormindo, eu perturbo seu dia, mesmo eu estando há milhas de distância, sei que entre um pensamento e outro, você vai se sabotar e ter alguma lembrança minha, que vai te queimar, te corroer e esfriar o estômago, que vai te fazer tremer, te fazer fumar, te fazer beber. Simples assim, pesado assim, apenas uma lembrança pra te invadir a calma, invadir a alma. Lembrança que talvez te acompanhe por uma semana, e dê folga de alguns dias, até esquecer por completo novamente... Mas até quando? - Outro flash, uma nova crise, um novo surto, uma nova forma de vingança, uma nova maneira de tentar odiar... 
É como se fosse uma maldição.... Mas no fim, sei que não passa de amor. Por que eu tenho tanta certeza ? Porque é o mesmo que sinto em relação a você. Um vínculo destrutivo, se não suicida...



09 janeiro, 2015

Bloqueio Almático



Como seria a junção de nós dois, em tempos de paz, digo...
Se nós não fôssemos assim, extremamente destrutivos?
Algo dentro de mim mudou
Não me sinto a mesma
E não consigo me lembrar de como era
Como eu era antes da minha primeira mágoa ?
Minhas ações... sinto certa paralisia 
Como se a base de tortura, 
Tivesse esquecido a autenticidade da minha persona
E assim, programada para algo melhor
Mas no fundo sei que o pior estar por vir, sim, eu sei
Não vejo mais a beleza da poesia no mundo
Bloqueada. Meu lirismo se perdeu por aí
A melhor parte de mim, se foi
A boa parte do que fui, está perdida
Você fala em pagar por preços altos
Sim, acredito...
Mas e o preço que eu paguei e estou a pagar ?
Aonde esqueci minha alma?
Por onde anda o assassino da minha poesia?
Senão eu mesma...
Meus chakras se fecharam
Os mesmos que levei anos para abrir
Tudo que sangrei para construir
Com um golpe súbito, tudo me foi tirado
Como resgatar minha alma, como resgatar minha poesia?
Como resgatar o que um dia fui, se não há nem lembranças
Se me cortaram os pés, e não consigo mais dançar
Se me furaram os olhos, e já não posso mais enxergar
Sem língua, já não posso mais cantar
Me diz como tudo isso supostamente deveria funcionar?
Quem sou eu a partir de hoje?
Se já não sou um cadáver a vagar...




A Chuva Que Não Lava

   A Terra não costumava ter o aspecto fofo e instável de hoje, mas a chuva também não dava mais uma folga. Mesmo com chuva, ainda existia o calor, que servia de agasalho para os poucos corações que não tossiam ao bater demais, aquela Terra ainda os cultivava
   Antes de outubro, não chovia tanto quanto agora, na verdade, a chuva que antes chovia, mais parecia gotinhas de algodão a acariciar nossa pele. E aquela Terra, diziam os mais velhos, fora feita com as próprias mãos de deuses, seus ingredientes saíram do próprio jardim de Ísis, mas creio que os deuses da Grécia antiga com mais malícia e astúcia, que a fizeram. Se por acaso alguém sentisse fome ou puro desejo, e provasse daquela Terra, iriam perceber que não passava de um delicioso sabor doce, que jamais enjoaria, nem sequer lembrava grãos duros e o gosto amadeirado de raíz.
   Porém os meses dourados haviam chegado ao fim, os corações começaram a pegar uma doença sem nome, talvez cólera, os levando a morte, ou apenas os debilitando o suficiente para quase não pulsar. Não morriam de tristeza, o que de fato matava eram as decepções. 
   A chuva parecia ser um castigo advindo dos céus, e desse terrível mês de outubro pra cá, não teve um mísero dia sequer, ou até mesmo minutos das longas 24 horas em que a chuva tomasse um fôlego.
   A Terra já não era tão doce, o sabor se transformou em algo azedo ou amargo demais, sentia-se os grãos duros, era horrível de degustar. E se ao menos com a vinda dessa chuva, que trouxe toda essa peste, servisse para ao mesmo tempo nos purificar, nos lavar dos pecados... Mas a cada pingo, parecia cair o mundo em cima de nós, a chuva nos trazia mágoas, nos trazia dor, tudo se resumia a lama, a muita alma suja. E o calor... O calor, não passava da tentativa de acender um fósforo molhado. Naquela Terra, que cultivava corações...