25 janeiro, 2015

Depois das Reticências ...

 Depois das reticências...

Como uma súcubo eu sugo toda sua energia, força e alma. Sempre foi assim, eu sempre sugo a vida das pessoas. Por um descompensação sua e minha, eu te faço mal. E você é consciente disso, mais que eu. Eu te faço ter pensamentos ruins, eu te faço questionar a vida e Deus, te perturbo o sono da noite, e os cochilos entre as trocas de horários. Acordado ou dormindo, eu perturbo seu dia, mesmo eu estando há milhas de distância, sei que entre um pensamento e outro, você vai se sabotar e ter alguma lembrança minha, que vai te queimar, te corroer e esfriar o estômago, que vai te fazer tremer, te fazer fumar, te fazer beber. Simples assim, pesado assim, apenas uma lembrança pra te invadir a calma, invadir a alma. Lembrança que talvez te acompanhe por uma semana, e dê folga de alguns dias, até esquecer por completo novamente... Mas até quando? - Outro flash, uma nova crise, um novo surto, uma nova forma de vingança, uma nova maneira de tentar odiar... 
É como se fosse uma maldição.... Mas no fim, sei que não passa de amor. Por que eu tenho tanta certeza ? Porque é o mesmo que sinto em relação a você. Um vínculo destrutivo, se não suicida...



09 janeiro, 2015

Bloqueio Almático



Como seria a junção de nós dois, em tempos de paz, digo...
Se nós não fôssemos assim, extremamente destrutivos?
Algo dentro de mim mudou
Não me sinto a mesma
E não consigo me lembrar de como era
Como eu era antes da minha primeira mágoa ?
Minhas ações... sinto certa paralisia 
Como se a base de tortura, 
Tivesse esquecido a autenticidade da minha persona
E assim, programada para algo melhor
Mas no fundo sei que o pior estar por vir, sim, eu sei
Não vejo mais a beleza da poesia no mundo
Bloqueada. Meu lirismo se perdeu por aí
A melhor parte de mim, se foi
A boa parte do que fui, está perdida
Você fala em pagar por preços altos
Sim, acredito...
Mas e o preço que eu paguei e estou a pagar ?
Aonde esqueci minha alma?
Por onde anda o assassino da minha poesia?
Senão eu mesma...
Meus chakras se fecharam
Os mesmos que levei anos para abrir
Tudo que sangrei para construir
Com um golpe súbito, tudo me foi tirado
Como resgatar minha alma, como resgatar minha poesia?
Como resgatar o que um dia fui, se não há nem lembranças
Se me cortaram os pés, e não consigo mais dançar
Se me furaram os olhos, e já não posso mais enxergar
Sem língua, já não posso mais cantar
Me diz como tudo isso supostamente deveria funcionar?
Quem sou eu a partir de hoje?
Se já não sou um cadáver a vagar...




A Chuva Que Não Lava

   A Terra não costumava ter o aspecto fofo e instável de hoje, mas a chuva também não dava mais uma folga. Mesmo com chuva, ainda existia o calor, que servia de agasalho para os poucos corações que não tossiam ao bater demais, aquela Terra ainda os cultivava
   Antes de outubro, não chovia tanto quanto agora, na verdade, a chuva que antes chovia, mais parecia gotinhas de algodão a acariciar nossa pele. E aquela Terra, diziam os mais velhos, fora feita com as próprias mãos de deuses, seus ingredientes saíram do próprio jardim de Ísis, mas creio que os deuses da Grécia antiga com mais malícia e astúcia, que a fizeram. Se por acaso alguém sentisse fome ou puro desejo, e provasse daquela Terra, iriam perceber que não passava de um delicioso sabor doce, que jamais enjoaria, nem sequer lembrava grãos duros e o gosto amadeirado de raíz.
   Porém os meses dourados haviam chegado ao fim, os corações começaram a pegar uma doença sem nome, talvez cólera, os levando a morte, ou apenas os debilitando o suficiente para quase não pulsar. Não morriam de tristeza, o que de fato matava eram as decepções. 
   A chuva parecia ser um castigo advindo dos céus, e desse terrível mês de outubro pra cá, não teve um mísero dia sequer, ou até mesmo minutos das longas 24 horas em que a chuva tomasse um fôlego.
   A Terra já não era tão doce, o sabor se transformou em algo azedo ou amargo demais, sentia-se os grãos duros, era horrível de degustar. E se ao menos com a vinda dessa chuva, que trouxe toda essa peste, servisse para ao mesmo tempo nos purificar, nos lavar dos pecados... Mas a cada pingo, parecia cair o mundo em cima de nós, a chuva nos trazia mágoas, nos trazia dor, tudo se resumia a lama, a muita alma suja. E o calor... O calor, não passava da tentativa de acender um fósforo molhado. Naquela Terra, que cultivava corações...