07 março, 2016

Germinação Poética


E eu, eu seguirei vivendo
Porque tu sabes, amor, que não sou uma mulher
mas todas as mulheres.
Sou todos os fetiches e os desejos
Tenho meus pés e o de todas as outras
Pois tenho o impulso selvagem de passar por todas as estradas,
Todos os caminhos já passados, e claro, 
Com os meus pés passar pelo novo, com minhas mãos,
minha boca, explorar os lugares mais virgens e intocáveis
As gargantas, as fendas, as cavernas úmidas e quentes desses mundos
Percorrer as terras, os corpos, as belezas de tom celestial, os picos inexploráveis
rochosos e áridos dessa terra austera e fértil.
Os ramos, as frutas, o verde, o cinza, a água, o vento
Os rios, os risos, a marola, a brisa
Quero que o mundo continue a girar
A cada passo que eu der, a girar
Pois eu seguirei vivendo
Seguirei dançando
Se choro, perdoo ou morro
Seguirei vivendo
E a chegada ainda que desconhecida
Me excita, inesperadamente me rubra a face
Me rega de combustível as veias do desejo 
dessa busca, dessa fome
Porque tu sabes, meu amor, eu não sou uma mulher
Eu sou todas elas.

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